Falta de pessoal prejudica Unidades de Conservação
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domingo, 24 de junho de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Londrina - Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a presidente Dilma Rousseff (PT) assinou o decreto de criação da Reserva Biológica Bom Jesus. A nova unidade de conservação (UC) federal paranaense terá 34.179 hectares de remanescente de Mata Atlântica, distribuídos entre os municípios de Antonina e Guaraqueçaba (Litoral).
Embora a notícia, como sempre acontece quando a criação de uma UC é anunciada, traga esperanças de dias melhores na preservação ambiental, há dificuldades para levar essa intenção à prática. A Reserva Bom Jesus será a 16 UC federal do Paraná. As já existentes sofrem com a ação predatória do homem e a falta de fiscalização.
A primeira UC federal a ser criada no Paraná foi o Parque Nacional do Iguaçu (Oeste), através de decreto-lei publicado em 1939. Ao longo das décadas, outras foram sendo constituídas: nove foram criadas nos últimos 20 anos, no rastro de consciência ambiental aberto pela Eco 92, realizada no Rio de Janeiro. As 15 UCs federais somam pouco mais de 1,67 milhão de hectares - é importante ressaltar que essa área não está totalmente localizada no Paraná, já que algumas unidades, como o Parque Nacional de Ilha Grande, se espalham além do território do Estado.
A gestão desse conjunto de áreas de proteção ambiental, estações ecológicas, florestas e parques nacionais, refúgios de vida silvestre e reservas biológicas é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Apenas 177 funcionários trabalham nessas UCs - 45 servidores de carreira do ICMBio e 132 terceirizados. Portanto, há um funcionário para cada 9,4 mil hectares (o equivalente a 9,4 mil campos de futebol) de área protegida nas unidades federais paranaenses. Alguns prestam serviços em mais de uma unidade.
Ricardo Castelli Vieira, coordenador regional do ICMBio, diz que há muito a melhorar, mas a situação já esteve bem pior. ''O ICMBio está completando cinco anos. Antes, as unidades eram administradas pelo Ibama. O ganho foi grande, e nós conseguimos realmente implantar essas UCs. Algumas não tinham sequer estrutura mínima: sede, veículos, equipamentos de informática. A estrutura administrativa hoje é suficiente. Mas poucas têm número suficiente de servidores. A única forma de resolver isso é o concurso público; e não há previsão de novo concurso para este ano.''
''Nossa gestão nacional tem discutido junto ao Ministério do Planejamento, falando da importância do nosso trabalho. Se você sobrevoar a região da Reserva Biológica das Perobas, só vai ver aquilo de vegetação nativa. O restante é soja, milho, pastagem'', relata Vieira.
Sem a quantia suficiente de funcionários, os gestores das UCs têm que recorrer a parcerias. ''Uma alternativa é o trabalho conjunto com as polícias Ambiental e Federal, para fazer operações, por exemplo'', explica o coordenador.


