São Paulo, 10 (AE) - A Ford suspendeu a produção hoje e amanhã na fábrica de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, por falta de peças importadas para a montagem dos modelos Ka, Fiesta e Courier. A montadora informou que está tendo dificuldades em liberar as peças na alfândega por causa dos protestos que estão sendo realizados desde o início do mês pelos funcionários da Receita Federal.
Cerca de 2.200 trabalhadores da produção foram dispensados e a fábrica deixará de produzir 1,2 mil veículos nesses dois dias. Os componentes que estão em falta são usados nos freios e na suspensão. Segundo a assessoria da Ford, apenas 5% das peças dos carros produzidos no ABC são importadas, mas esses dois ítens são considerados essenciais na montagem.
A Toyota e a Chrysler, que importam pouco menos de 50% dos componentes utilizados na produção dos modelos Corolla e Dakota informaram hoje que ainda têm estoques de peças mas, se a operação dos auditores e fiscais for intensificada, poderão ter de alterar a programação de produção para este mês.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) informou que a categoria realizará amanhã, quarta e quinta-feira operação padrão na maioria dos portos e aeroportos do País. Essa operação consiste em verificar detalhadamente todas as bagagens e produtos que chegam do exterior, o que acaba atrasando a liberação.
Eles também vão paralisar os serviços de arrecadação, tributação e fiscalização. O protesto tem um cronograma de paralisações que vem aumentando gradativamente. Se as reivindicações não forem atendidas até o fim do mês, a categoria poderá decretar greve por tempo indeterminado.
Também participam do movimento fiscais da Previdência, do Ministério do Trabalho e do Banco Central. Eles reivindicam a garantia de critérios especiais para demissões e o fim do veto presidencial à lei do emprego público, além de reposição salarial e o fim do que consideram um "desmonte da Receita Federal".

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