Projeto para dar mais segurança e melhorar o visual da obra de 552,4 metros de extensão, que liga o Brasil ao Paraguai, depende de liberação de recursos
A Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad del Este, no Paraguai, completa hoje 36 anos e, apesar de ser o maior símbolo de integração entre os países do Mercosul, a estrutura de 552,4 metros de extensão continua menosprezada em relação à segurança, fiscalização e manutenção.
Famosa por registrar fatos históricos do Brasil e do Paraguai, a ponte já foi fechada várias vezes por oviedistas (seguidores do ex-general paraguaio, Lino Oviedo), campesinos (sem-terra paraguaios) e brasiguaios (brasileiros que vivem no país vizinho), além de ser palco de protestos de mototaxistas, caminhoneiros e até mesmo responsáveis pela fiscalização do local. As chamadas ‘‘operações padrão’’ dos auditores da Receita Federal, frequentes no ano passado, consistiam em uma greve ao contrário: a ordem era vistoriar todos os veículos que passavam pela aduana brasileira, provocando um caos no trânsito da fronteira.
O cotidiano conturbado na região pode ser representado em números. Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal e do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), são 19,5 mil de veículos e 15 mil pedestres (3 mil são sacoleiros) circulando, em média, todos os dias na fronteira com o Paraguai. Com tanta gente indo e vindo, todos os órgãos federais – Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal – são envolvidos no trabalho de fiscalização na fronteira, por amostragem. A média de pedestres e veículos verificados varia de 3% a 5%. O excessivo movimento de compristas, tanto paraguaios quanto brasileiros, também gera violência na região da ponte. Pequenos furtos e roubos são registrados frequentemente.
Pela gigantesca passarela, são realizadas vistorias dia e noite para coibir o contrabando. No ano passado, segundo levantamentos da Receita Federal, foram apreendidos 1,1 tonelada de maconha e 18 quilos de cocaína. Em valores atualizados, somente os cigarros retidos em 1999 correspondem a R$ 24,5 milhões. O tráfico de animais silvestres, produtos químicos e farmacêuticos, sementes transgênicas e carne, que está proibida pelo Ministério da Agricultura brasileiro devido ao surto de febre aftosa registrado no Paraguai no ano passado, também são constantes. A carne é trazida em pequenas quantidades por açougues e frigorificos brasileiros.
Desde sua inauguração em março de 1965, poucos reparos foram feitos na estrutura. A última limpeza geral foi feita em junho de 1999 (véspera da Copa América sediada no Paraguai), quando a ponte foi lavada e teve as grades de proteção pintadas com as cores das bandeiras dos dois países. Segundo o chefe do DNER em Foz, Vicente Veríssimo, um projeto orçado em R$ 380 mil vai melhorar a estética da obra e melhorar também as condições da estrutura.
Está prevista a troca das chamadas juntas de dilatação – oito chapas metálicas usadas nas ligações entre os blocos de concreto – por outro material mais moderno e mair seguro. A pintura também será refeita, incluindo os pilares. A licitação já foi feita, com a escolha da empresa EPT, de São Paulo. Mas ainda não há data para o início das obras porque o governo federal precisa repassar a verba para a Diretoria de Engenharia do DNER em Brasília.
Apesar de ter sido construída pelo governo dos dois países, a manutenção da Ponte da Amizade está sobre inteira responsabilidade do Brasil, já que a determinação consta em um tratado assinado há 35 anos, época da inauguração.
Mesmo com tantos problemas, a Ponte da Amizade é respeitada por entidades mundiais. O consultor da Organização Mundial de Migração – orgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) – Luis Bogado Poison, participou de um fórum realizado em Foz exatamente no aniversário de 10 anos do Mercosul, ontem, e é um dos simpatizantes da obra. ‘‘Apesar de todos os contratempos, a via representa o ideal solidificado do Mercado Comum: circular livremente entre os países integrantes. Basta pensar que cruzamos a ponte como se deslocássemos de um bairro para outro em qualquer cidade do mundo.’’

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