Falta de limites compensa ausência
''Minha filha tinha um ano quando comecei a trabalhar. Meu marido havia me prometido um monte de coisas caso eu ficasse em casa, mas percebi que não era nada do que imaginei'', lembra. Isso foi há 32 anos e Maria Eduarda, que só teve uma filha, diz que não se arrepende da decisão. ''Batalhei pelo meu ideal, consegui comprar casa, carro, mas, por outro lado, tive um marido completamente ausente. Como eu, ele trabalhava a semana inteira, só que aos finais de semana, enquanto eu cuidava da casa e dava atenção para minha filha, ele ia jogar bola com os amigos. Não estava nem aí. Ele suprimia sua ausência sendo permissivo em excesso com a filha, só que ela cresceu revoltada pela ausência do pai'', diz. ''Sabia que isso não era certo, por isso sempre estimulei nela o sentimento de amor pelo pai.''
O analista de sistemas Donizetti Teixeira de Souza, 36 anos, afirma ter esta consciência, porém, acredita ser esta uma tendência dos ''novos tempos''. ''Tenho dois meninos, o Jonathan, de dez anos, e o Jean Lui, de três. Me dedico igualmente aos dois, pois acredito que o pai também tem de acompanhar todo o desenvolvimento da criança de perto. Mas o problema é que quando as crianças começam a crescer, elas ficam mais distantes. Quando chego do trabalho e procuro meu filho mais velho para saber como foi o dia dele e coisas assim, ele troca algumas palavras e já sai logo, não tem jeito'', conta Souza. ''As crianças de hoje estão muito avançadas e independentes. E, o que é pior, se deixar, preferem o videogame e o futebol a conversar com os pais.'' Independentemente disso, Saundra dá um aviso: o pai deve dar demonstrações constantes de amor ao filho e, também, à esposa.





