Falta de juiz atrasa retomada de desapropriações
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quinta-feira, 06 de novembro de 2014
Guilherme Batista e Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - A Justiça Federal ainda não nomeou o juiz que ficará responsável por acompanhar o processo de desapropriação das áreas da face norte do Aeroporto Governador José Richa, na zona leste de Londrina. "Estamos aguardando a nomeação do juiz que vai intermediar o acordo entre o município e os moradores", afirmou o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi. Ele garantiu que o poder público já tem os "laudos e as avaliações" dos terrenos que vão ser desapropriados, todos no Jardim Albatroz. "Quando nomeado, o juiz vai convocar os moradores, mostrar as avaliações, esperar pela aceitação deles e fechar o acordo", explicou.
O presidente da Codel ressaltou que o município precisa do acordo fechado para liberar os R$ 30 milhões já reservados pelo governo do Paraná, via Paraná Fomento. "O Estado se comprometeu a enviar o dinheiro para Londrina, mas só após as negociações."
O processo de desapropriação da face sul do aeroporto, na região abaixo da Avenida Salgado Filho, o Jardim Califórnia, foi acompanhado pelo juiz Gilson Luiz Inácio. "Esperamos que ele volte a ser nomeado agora por conta de sua experiência com todo o trâmite", afirmou Veronesi. A FOLHA tentou contato com o juiz ontem, mas não obteve retorno.
As cerca de 20 famílias proprietárias e residentes dos imóveis que serão desapropriados no Jardim Albatroz esperam que o processo não demore tanto. O engenheiro civil Basílio Pepiliasco, de 72 anos, é uma das lideranças do bairro que vêm participando de sucessivos encontros com a Codel. Ele mora no Albatroz há quase 40 anos, num tempo em que havia só a casa dele e a do vizinho na Rua Paulo VI, uma das que serão envolvidas na desapropriação. A outra é a rua de cima, João Paulo I, que fica rente à pista do aeroporto. Segundo Pepiliasco, o projeto prevê a desapropriação de 34 lotes residenciais nas duas ruas. Cada lote tem em média cerca de 350 metros quadrados.
A casa dele tem aproximadamente três lotes e meio, totalizando uma área de 1.200 metros quadrados. "A última informação que nos foi passada em reunião entre a Codel e os moradores aqui na minha casa foi que a prefeitura iria fazer o pagamento das desapropriações em blocos de R$ 5 milhões. Tenho vivência para saber que quando se trata de desapropriação a coisa é lenta, ainda mais que aqui é Brasil, mas esperamos que a negociação avance e dê certo, até porque a desvalorização dos imóveis já está acontecendo", afirmou.
O morador revelou que nas primeiras negociações para a desapropriação dos imóveis a Prefeitura propôs valores abaixo do esperado pelos proprietários. "Depois ele corrigiram para R$ 140 mil por lote, que consideramos um valor próximo da realidade. Se for para sair, saio, apesar de morar aqui desde o princípio e gostar muito do bairro, onde já conheço todo mundo. Mas desde que por um valor justo", salientou Pepiliasco, que construiu uma espécie de mirante nos fundos da casa, de onde se tem uma visão privilegiada dos pousos e decolagens dos voos. A Codel deve realizar uma nova reunião com os moradores para explanar o processo de desapropriação.
AEROPORTO
As áreas, após desapropriadas, serão doadas ao governo federal. A Infraero precisa dos terrenos para continuar com as obras de ampliação do Aeroporto Governador José Richa. A entidade pretende investir R$ 80 milhões no terminal até 2018. Entre as melhorias previstas destacam-se a ampliação da pista, reforma das salas de embarque e desembarque, reparo do muro perimetral e instalação do ILS.


