Falta de informação prejudica combate à dengue
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Danilo Marconi<br>Reportagem Local 
Porecatu A 17ª Regional de Saúde recebeu apenas seis relatórios com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) das 21 cidades de sua área de abrangência. O atraso nesta identificação pode dificultar ainda mais o combate a doença e contribuir para uma epidemia.
"Os municípios têm o mês todo para apresentação do LIRAa, conforme pactuado pelo Ministério da Saúde. Mas a nossa recomendação é para que, invariavelmente, façam o levantamento o quanto antes. Esse trabalho norteia todas as ações do combate e controle da dengue. Sem ele não há uma atuação nas áreas mais criticas", afirmou o coordenador da Sala de Situação da Dengue da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Ronaldo Trevisan.
A 17ª Regional faz acompanhamento em todos os 21 municípios. Até a última sexta-feira havia oito casos confirmados da doença e 348 suspeitos. Os pacientes com comprovação laboratorial são de Londrina (6), Cambé (1) e Ibiporã (1).
O novo levantamento será divulgado apenas na semana que vem e deve apresentar um salto significativo da doença. Em Londrina, por exemplo, uma pessoa estava internada ontem em estado grave com suspeita da doença ela apresentava variação expressiva do número de plaquetas.
Entre as seis cidades que já realizaram o levantamento, Porecatu é a que apresenta o maior índice de infestação. De cada 100 imóveis, 12 apresentavam focos do mosquito.
A maioria dos focos (60%) foi localizada em quintais, uma vez que muitos moradores de Porecatu trabalham com reciclagem para complementar a renda familiar.
Este é o caso da boia-fria Cidelina Antonia Barbosa. O quintal da casa dela está tomado por papelões, garrafas pet e embalagens plásticas. "A gente sempre toma cuidado, observa para não deixar água parada", garantiu. No entanto, na última inspeção, agentes de endemias localizaram quatro focos do mosquito no imóvel. "Está assim porque a gente não tem mais barracão de reciclagem. A prefeitura cortou o que a gente usava", criticou. A administração municipal prometeu reativar o barracão ainda este ano.
A cidade também tem bastante lixo espalhado pelas ruas e terrenos baldios. A FOLHA encontrou garrafas de bebida cheias d´água em um matagal, além de recipientes e materiais de construção civil. "A prefeitura cobra, mas não faz sua parte. A limpeza pública na cidade é precária", criticou o operador de máquinas Rafael Vasquez.
A Secretaria de Saúde de Porecatu decidiu agir. Um mutirão de limpeza está programado para os próximos dias nos conjuntos habitacionais Porecatu I, II e III, popularmente chamados de Pombal, além da Vila Iguaçu.
A cidade tem sete casos suspeitos neste ano e 129, se computado o período epidemiológico (que começa em agosto). Porecatu enfrentou em 2011 uma epidemia da doença com 1.085 casos confirmados o município tem 14,1 mil habitantes.
Outra ação já confirmada é o aumento da fiscalização. "Temos uma lei municipal que determina a aplicação de multa em casos de reincidência de focos do mosquito da dengue. Vamos pedir para o prefeito maior rigor. Enquanto não mexe no bolso, pessoa não acorda", afirmou a secretária de Saúde, Solange Cristina de Souza Delfino. Ano passado foram aplicadas apenas duas notificações e nenhum caso resultou em multa.
Consciência que o operador marítimo Alcir Azeredo procura repassar para toda a família. Ele fica a maior parte do mês trabalhando em alto-mar , mas quando está em casa pede ajuda das filhas nos afazeres doméstico. Limpar o quintal é o principal objetivo. "A gente limpa a piscina com frequência, lava as bordas, além de cuidar de vasos de flores. Nada passa despercebido", garantiu.



