Rio de Janeiro - Em levantamento divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cidade de São Paulo apresenta a maior taxa média anual de casos novos de câncer registrados entre os homens no País: 391 por 100 mil habitantes. A incidência no sexo feminino também é alta na capital paulista: 321,5 casos, a segunda maior taxa da lista, liderada pelo Distrito Federal.
Ontem, no Dia Nacional de Combate ao Câncer, o ministro da Saúde, Humberto Costa, atribuiu o crescimento da doença no País à falta de informação. Só este ano, 402 mil novos casos devem ser registrados no Brasil e são esperadas 126 mil mortes, segundo o Inca.
As informações, reunidas na publicação ''Registros de Câncer de Base Populacional'', foram coletadas em 16 localidades do País, no período entre 1991 e 2000. O estudo mostra que os tipos de câncer mais incidentes entre os homens são próstata, pulmão e estômago. Já entre as mulheres, os mais frequentes são mama, colo do útero e cólon/reto.
Segundo Gulnar Mendonça, do Inca, a pesquisa mostra uma relação entre desenvolvimento e incidência de câncer. ''As áreas mais urbanizadas apresentam o maior número de casos novos. Sabemos que houve um aumento de diagnósticos, mas precisamos investigar se o aumento da doença foi real e detalhar as causas disso'', observou, citando como hipótese os hábitos dos moradores das metrópoles, geralmente de risco, como uso de cigarro, bebida e sedentarismo.
''Muitos casos de câncer podem ser prevenidos com ações de esclarecimento à população e com mudanças no estilo de vida. As pessoas precisam conhecer mais sobre a doença e o poder público precisa transmitir mais informações'', disse o ministro, em visita, ontem, ao Inca.
Costa ressaltou ainda a necessidade de uma política de prevenção voltada para o público feminino. ''É um absurdo que, no Brasil, ainda morram tantas mulheres por causa de câncer de útero''.

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