Falta de higiene ajuda a propagar hantavirose
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Julio Cesar Lima Enviado a General Carneiro 
As más condições de habitação e higiene nos acampamentos dos trabalhadores rurais que atuam nas áreas de reflorestamento de pínus nas regiões de General Carneiro (274 quilômetros ao sul de Curitiba), Bituruna e Cruz Machado e o manuseio de rações e milhos contaminados são apontados, pelos técnicos de saúde que avaliam o local, como os maiores causadores da hantavirose, doença causada por uma espécie de roedor e que contaminou 14 pessoas e provocou a morte de seis desde o ano passado.
Para evitar a propagação da doença, a Secretaria Municipal da Saúde de General Carneiro determinou que as empresas se enquadrem em normas técnicas de higiene sob a ameaça de interditar as obras.Explicamos para os proprietários dessas empresas que somente uma ação rápida pode interromper esse processo, disse o secretário Mauro Driessen da Rocha.
Segundo a sanitarista Elizabeth David dos Santos, do (Cinepi) Centro Nacional de Epidemiologia, o quadro na região é crítico. Percebemos a necessidade de mudanças com o esclarecimento da população, disse. Além dela participam desse grupo o sanitarista norte-americano Douglas Hatch, do Centro de Prevenção e Controle de Epidemias, com sede em Atlanta (EUA) e representantes da regional de saúde.
Uma das áreas visitada por eles foi o Salto Lili, onde ocorreu a maioria das contaminações e mortes (sete casos e três óbitos). A área pertence à Madeireira Miguel Forte, com sede em União da Vitória e para o corte de uma área de aproximadamente três mil hectares são empregados 60 peões em média. A assessoria da empresa informou que a partir de hoje serão realizadas obras de habitação para acomodar os trabalhadores.
A madeireira mudou a filosofia depois das denúncias que chegaram à secretaria municipal sobre as más condições de trabalho. Por falta de lugar para guardar a comida e de colchões para dormir, os trabalhadores se alimentavam de comidas contaminadas e dividiam as barracas com os ratos, afastados do seu habitat por causa do corte do pínus. A falta de alimentos os faziam ir até as barracas onde haviam restos de comida, disse Rocha. No final de novembro a equipe de analistas encaminha ao Governo do estado um relatório preliminar.


