Comer uma simples uva no supermercado ou na feira ou experimentar um sanduíche com uma verdura mal lavada. Basta um descuido pequeno desses para se infectar com a mais temida doença neurológica transmitida por um verme: a cisticercose. Trata-se de uma doença causada pela Taenia solium, a conhecida solitária, que em vez de se instalar no intestino ocupa outras partes do corpo, com maior frequência o cérebro.
Os médicos apontam que cuidados simples de higiene, de trato na criação de porcos e saneamento básico poderiam evitar esse mal que, segundo pesquisa dos CDC (Centers for Diseases Control and Prevention, em inglês, Centros de Prevenção e Controle de Doenças) dos Estados Unidos, atinge 50 milhões de pessoas no mundo, causando anualmente 50 mil mortes.
Doença endêmica dos países pobres, a cisticercose infesta a América Latina, África e partes da Ásia. Mesmo no chamado Primeiro Mundo, há registros da doença, levada por imigrantes que vão trabalhar sobretudo nos EUA e Europa.
Por desinformação, precárias condições de saneamento e da pecuária, a doença resiste no interior e na zona rural. A doença chega às cidades nos caminhões de hortifrutigranjeiros e ainda sobrevive pelo contingente de portadores de solitária que se contaminam e contaminam outras pessoas.
Segundo levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo, 1,13% dos exames de liquor cefalorraquiano (a substância produzida pelo cérebro) são positivos para presença de cisticercose.
No Brasil, não há dados absolutos sobre a incidência da cisticercose, mas regiões desenvolvidas encabeçam a lista de áreas de risco apontada por neurologistas. Assim, as ricas regiões de Ribeirão Preto (SP) ou norte do Paraná apresentam índices elevados de cisticercose.

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