Falta de higiene ajuda a difundir a cisticercose
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sábado, 21 de outubro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Comer uma simples uva no supermercado ou na feira ou experimentar um sanduíche com uma verdura mal lavada. Basta um descuido pequeno desses para se infectar com a mais temida doença neurológica transmitida por um verme: a cisticercose. Trata-se de uma doença causada pela Taenia solium, a conhecida solitária, que em vez de se instalar no intestino ocupa outras partes do corpo, com maior frequência o cérebro.
Os médicos apontam que cuidados simples de higiene, de trato na criação de porcos e saneamento básico poderiam evitar esse mal que, segundo pesquisa dos CDC (Centers for Diseases Control and Prevention, em inglês, Centros de Prevenção e Controle de Doenças) dos Estados Unidos, atinge 50 milhões de pessoas no mundo, causando anualmente 50 mil mortes.
Doença endêmica dos países pobres, a cisticercose infesta a América Latina, África e partes da Ásia. Mesmo no chamado Primeiro Mundo, há registros da doença, levada por imigrantes que vão trabalhar sobretudo nos EUA e Europa.
Por desinformação, precárias condições de saneamento e da pecuária, a doença resiste no interior e na zona rural. A doença chega às cidades nos caminhões de hortifrutigranjeiros e ainda sobrevive pelo contingente de portadores de solitária que se contaminam e contaminam outras pessoas.
Segundo levantamento do Hospital das Clínicas de São Paulo, 1,13% dos exames de liquor cefalorraquiano (a substância produzida pelo cérebro) são positivos para presença de cisticercose.
No Brasil, não há dados absolutos sobre a incidência da cisticercose, mas regiões desenvolvidas encabeçam a lista de áreas de risco apontada por neurologistas. Assim, as ricas regiões de Ribeirão Preto (SP) ou norte do Paraná apresentam índices elevados de cisticercose.


