Falta de estrutura trava qualidade de vida
O primeiro núcleo habitacional com participação da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) foi o Conjunto do Café, no final dos anos 1960. Na época, segundo o engenheiro civil Rudolfo Horner, o órgão se encarregava da infraestrutura e o Estado pelo projeto e construção. ''Aguentei muita reclamação dos moradores, que achavam que eu era o responsável pelo pequeno tamanho das casas.''
Horner diz ter sido o primeiro a se rebelar, por exemplo, com o desenho das ruas que interligariam as 228 casas do conjunto. Suas reclamações, porém, foram em vão. ''Nossa legislação exigia que as ruas tivessem no mínimo 11 metros de largura e ali elas foram desenhadas com seis metros. Mas a resposta que recebi de Brasília foi 'é pegar ou largar'. É claro que nós pegamos.'' De tão estreitas, as ruas hoje só permitem a passagem de um carro por vez.
Por outro lado, os moradores do bairros sempre tiveram uma praça na porta de casa, algo que não existe nos atuais conjuntos. Além disso, os terrenos maiores permitiam interferências nas construções conforme as necessidades e gostos de cada família. O casal Maria Borges Mota e José de Almeida Mota, moradores desde 1972, construiu mais um quarto, copa e lavanderia. Ela, que sempre gostou de flores, tratou de preparar jardins de rosas e hortências. Mesmo assim, estranhava a falta de espaço. ''No começo foi uma luta, porque a gente veio do sítio'', admite a dona de casa.
Do outro lado da praça, moram Florezina da Silva Pereira e Antonio Nogueira Pereira, também moradores antigos. ''No começo tinha muito mato, mas sempre foi perto de tudo. Para mim é o melhor lugar para se morar'', avalia Antonio.
A proximidade de escolas, hospitais, supermercados e demais serviços básicos é um benefício que os mais recentes contemplados por moradias populares também já não têm. No Residencial Vista Bela, maior empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida no País, estes serviços deverão ser implantados com o passar do tempo. Outra importante diferença em relação ao passado. ''Tínhamos a preocupação de construir onde já houvesse uma estrutura de serviços, o que oferecia mais qualidade de vida para os moradores'', relembra Horner.
Segundo ele, foi no final da década de 70, com a construção dos Cinco Conjuntos, que surgiram os empreendimentos distantes, contrariando o planejamento urbano até então existente, e sem preservar espaços de convivência. Para o engenheiro, o problema permanece e pode ser conferido no Vista Bela, o qual ele não vê como um projeto de solução urbanística. ''Aquelas fileiras de casa são uma barbaridade, que só ficam bonitas nas fotografias'', critica. (S.L.)





