Londrina - Em Londrina, o Conselho Municipal de Educação foi ativado no final da década passada e em 2002 passou a normatizar as diretrizes educacionais da rede municipal, quando o município optou por ter seu próprio sistema de ensino. Desde então, o órgão conseguiu alguns avanços, mas enfrenta vários desafios.
A presidente do conselho, Marlene Valadão Godoi, diz que a principal demanda da rede pública é por salas de aula. "Fazemos as deliberações baseadas nas resoluções do Conselho Nacional de Educação. Nas escolas que extrapolam o limite do número de alunos deliberado pelo conselho faltam salas de aula. Há casos de turmas que são fechadas ou não são abertas por conta da falta de salas no Ensino Fundamental", afirma Marlene, que é professora municipal.
E se faltam salas, sobram problemas relacionados também à infraestrutura e à segurança nas escolas municipais. Mês passado, a instituição localizada no Jardim Santa Fé (zona leste) sofreu seu mais violento ataque de vandalismo, quando um grupo de adolescentes do bairro atirou um artefato explosivo que incendiou as cortinas de uma das salas. O fogo penetrou pelas frestas dos vidros quebrados das janelas e danificou o material escolar de vários alunos. O extintor de incêndio utilizado por uma professora para conter as chamas estava com prazo de validade vencido. Um quadro que assusta, mas não surpreende os conselheiros.
"Temos cobrado a Secretaria de Educação quanto à questão da segurança. A grande maioria das nossas escolas não tem alvará da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros. Muitas escolas precisam se adequar aos requisitos estabelecidos pelos Bombeiros", revela Marlene Valadão, lembrando que uma das atribuições do conselho municipal é justamente deliberar sobre autorização e renovação de funcionamento das escolas do município.
Outro problema verificado na rede municipal de Londrina é o deficit de escolas, especialmente na zona norte, conforme aponta a educadora. "A região norte é carente de escola, especialmente na região do Vista Bela, onde mais de mil alunos são transportados para outras escolas porque não há uma unidade ali. Precisamos de mais escolas naquela região", defende. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 22 das 73 escolas municipais da cidade (30%) estão instaladas na zona norte. Entre as conquistas alcançadas pela rede pública com a participação do Conselho Municipal, segundo Marlene Valadão, estão a implantação do Ensino Fundamental de nove anos, da Educação Infantil, o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e a inclusão do estudo da cultura afro-indígena na grade curricular. "A implantação do Conselho Municipal de Educação permitiu que fizéssemos nossas próprias deliberações. Todas as questões ligadas à Secretaria Municipal de Educação passam a ser normatizadas por nós", avalia.(D.P.)

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