Ortigueira - Ortigueira está entre as cinco maiores cidades do Paraná em extensão territorial. Para o delegado Rafael Souza Pinto, grupos criminosos são atraídos pela posição estratégica do município. "Sem passar pelo asfalto, você tem acesso a Telêmaco Borba, Faxinal, Curiúva, Tibagi, Reserva, Mauá da Serra, São Jerônimo da Serra. Enfim, são vários acessos sem passar pelo asfalto. Existem bairros aqui que ficam a 60 km do centro. Se a gente for atender a ocorrência por lá, a cidade fica desguarnecida", argumenta. A construção de uma fábrica de celulose em Ortigueira também movimenta a economia local.
Quatro investigadores e um escrivão atuam na delegacia. Com a falta de funcionários, somente um investigador permanece de plantão. "Nosso armamento é obsoleto. Você pode ver que essa arma é particular. Comprei do bolso. Já fiz pedidos mais de uma vez para a compra de armamento, mas não fui atendido. As duas únicas viaturas nossas estão aguardando há mais de um mês autorização para o conserto. Elas continuam rodando, mas só aqui no centro", lamenta. Segundo ele, apenas dois policiais militares atuam no município.
Em nota, a assessoria da Polícia Militar informou que o reforço no efetivo deve ocorrer "assim que possível". Desde março, o município de Ortigueira é atendido pelo 26º Batalhão da PM, que fica em Telêmaco Borba.
Por e-mail, a assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) destacou que a Operação Cangaço, realizada nos meses de janeiro e março, resultou na prisão de mais de 70 suspeitos de assaltos a bancos no Paraná. "Isso demonstra que as quadrilhas responsáveis pelos assaltos a banco – e explosões de caixas eletrônicos – têm sido monitoradas e presas pelos crimes cometidos", aponta a nota. Ainda de acordo com a Sesp, uma força-tarefa coordenada pelo Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep) acompanha e investiga a atuação das quadrilhas especializadas, com o apoio das polícias Civil e Militar.
O presidente da Federação dos Vigilantes do Estado do Paraná, João Soares, destaca que a instituição já contabilizou 36 explosões de caixas eletrônicos, 20 casos de caixas eletrônicos arrombados e 12 assaltos a banco entre janeiro e abril deste ano. "Precisamos de reforço policial e temos cobrado muito a questão da instalação das portas giratórias. Infelizmente há bancos que conseguiram liminares na Justiça para não instalar o equipamento. Para nós, isso é uma falta de consideração à vida e um desrespeito aos profissionais e clientes do banco", afirma. A agência que foi alvo dos assaltantes na última semana não possui porta giratória. Um dos vigias foi feito refém. A assessoria da agência informou que a instituição não comenta o assunto.(V.C.)

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