Falta de estoque e baixo número de doadores de sangue preocupam hospitais do Rio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 16 (AE) - O pequeno número de doadores e a falta de estoque nos principais centros de coleta de sangue do Rio estão preocupando os hospitais públicos neste fim de ano, época em que a demanda aumenta. A diretora-técnica do Hemocentro do Rio de Janeiro (Hemo-Rio), Clarisse Lobo, que abastece todas as emergências das redes municipal, estadual e federal, prevê uma queda de até 60% na quantidade de sangue coletado nas semanas do Natal e do ano novo.
Os hospitais municipais Souza Aguiar, no centro, Miguel Couto, na zona sul, Salgado Filho, zona norte, e Rocha Faria, zona oeste, que só no mês de dezembro chegam a consumir até 750 unidades de hemácia - o equivalente à doação de 750 pessoas - estão em alerta. Para tentar contornar a crise, o Hemo-Rio, que normalmente conta com mil doações por mês, estará de plantão nos dias 24 e 25.
Para aumentar o contingente de voluntários, o Ministério da Saúde resolveu ampliar a idade-limite para doação, que hoje é de 60 anos, para 65. Uma portaria deverá ainda diminuir, já no início do ano que vem, o intervalo mínimo para doações, de três para dois meses. Crise - Segundo Clarisse Lobo, a causa da crise está no "aumento da demanda e diminuição da oferta". "As pessoas deixam de doar porque estão ocupadas com compras, e, ao mesmo tempo, se expõem mais do que em outras épocas do ano e precisam de transfusões de sangue", explicou. A direção do Souza Aguiar - que atende em média a mil pacientes por dia - divulgou que o banco de sangue do hospital ainda não sentiu os efeitos da diminuição da quantidade de doadores mas que deve começar a faltar sangue nas próximas semanas. Grave - A situação é grave no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desde o fim de novembro falta sangue para cirurgias marcadas com antecedência. O mínimo necessário para o bom funcionamento do hospital é de 60 doadores, mas atualmente não chega a 30. De acordo com a médica Carmem Nogueira, chefe do serviço de hemoterapia do hospital, é normal que no período de festas o número de voluntários caia pela metade.
"Isso acontece todo ano, mas desta vez a crise é maior ainda", disse. "Tememos pelos milhares de turistas que virão ao Rio para o réveillon do ano 2000, porque os hospitais não têm sangue suficiente". Com exceção de casos de urgência, o hospital não recebe sangue do Hemo-Rio, assim como o Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por não ter uma emergência nos moldes dos hospitais municipais. "Nós fazemos cirurgias mais complicadas e recebemos pacientes de outras unidades; por isso nossa demanda é enorme", afirmou a médica. "Já tivemos de adiar cirurgias por falta de sangue". Cidadania - De acordo com Clarisse Lobo, até os doadores que frequentam o Hemo-Rio durante todo o ano deixam de doar no mês de dezembro. "As pessoas não vêem que doar sangue é mais do que um presente, é um ato de cidadania", disse. O horário de funcionamento do centro (das 7 às 19 horas) não será alterado neste mês. Um serviço telefônico para agendamento de doação está à disposição da população. O número é (0--21) 240-2494. Já o do Clementino Fraga Filho é (0--21) 562-2305.


