Falta de equipamento impede cirurgia intra-uterina
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Brasil é um dos únicos países com equipe capacitada para fazer a cirurgia intra-uterina de um tipo relativamente raro de anormalidade congênita. O que era para ser uma boa notícia, porém, transforma-se em frustração. Não há material disponível para o procedimento cirúrgico de correção da mielomeningocele, um defeito no fechamento da coluna vertebral.
A anormalidade atinge bebês nos primeiros meses de gestação e pode evoluir para hidrocefalia, dificuldades motoras e atrofia dos pés. Em certos casos, causa a morte do feto ou logo após o parto. A intervenção cirúrgica reduz risco de desenvolvimento dos sintomas.
Denominada cirurgia a céu aberto, a técnica consiste na abertura do útero, como uma cesariana, para operar o feto. É mais indicada entre 4,5 e seis meses de gestação. A maior complicação é o parto prematuro. Entre a intervenção e o parto, o prazo médio é de dois a três meses. O risco para a mãe é o da anestesia geral. Outra possível consequência é o efeito das drogas usadas para evitar as contrações musculares.
Para viabilizar a cirurgia, á necessário um equipamento especial. O stapler é utilizado para fazer a abertura no útero e estancar o sangramento. Cada peça custa R$ 10 mil e só é fabricada nos Estados Unidos, que cortou o fornecimento para outros países por questões políticas. ''Estamos tentando estabelecer parcerias para viabilizar a fabricação no Brasil. Uma tentativa é com o Departamento de Engenharia da USP (Universidade de São Paulo)'', revelou o ginecologista Wagner Jou Hisaba, 36 anos.
Ele participou as oito cirurgias do gênero realizadas no País. A primeira foi feita em 2003 em São Paulo. Os Estados Unidos são os pioneiros e aplicam a técnica desde 1999. Cerca de 150 crianças já passaram por este tipo de cirurgia. O custo varia entre US$ 30 mil e US$ 50 mil por intervenção.
Também pode ser aplicada em patologias como tumor torácico, hérnia diafragmática e tumor na região sacral (parte inferior da coluna). A única forma de prevenção é a adição de ácido fólico na alimentação. No estado de São Paulo, por exemplo, uma lei determina que a farinha de trigo seja enriquecida com a substância. As doenças congênitas podem ser detectadas através de ultra-som. As outras técnicas de cirurgia intra-uterina são laser e punção simples.
A técnica foi trazida para o Brasil da Vanderbilt University, no Estados Unidos, por uma equipa da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), antiga Escola Paulista de Medicina. Oito cirurgias já foram realizadas no País, seis com sucesso. O corpo médico pioneiro no País é formado por Carlos Gilberto Almodin, Antonio Fernandes Moron e Sérgio Cavalheiro.
Integrante da equipe, Hisaba apresenta a técnica hoje, às 16 horas, na palestra ''Correção Cirúrgica Intra-uterina - A Cura Antes do Nascimento'', na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A palestra faz parte do I Simpósio Tendências da Biologia Contemporânea: Células Tronco e Reprodução Humana. O evento é promovido pelo Departamento de Biologia Geral e Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular.


