São Paulo, 24 (AE) - A Bardella Indústrias Mecânicas, que fechou o primeiro semestre com um lucro de R$ 16,7 milhões, 14 53% a mais do que em igual período de 98, está preocupada com o futuro, já que não há sinais de novas encomendas por parte do mercado. Segundo seu presidente Claudio Bardella, "o mercado de bens de capital sob encomenda vive hoje na esperança de novas encomendas tão anunciadas, mas que ainda não se transformaram em realidade das indústrias automobilisticas ou mesmos das siderúrgicas com seus planos de expansão". Ele salientou que planos de bilhões de dólares, "por enquanto, estão apenas no papel".
Bardella evitou citar nomes, mas disse que uma grande siderúrgica do Sudeste do País anunciou investimentos, compras de equipamentos, mas isso não se concretizou. "Ganhamos a licitação feita para a compra dos equipamentos, mas até agora, mais de ano, não recebemos a encomenda. Esse é o meu medo: muito se fala e pouco se faz. Estamos andando em marcha lenta. Isso é mal para o País."
O empresário explicou que o plano do setor siderúrgico era de investimento de pelo menos US$ 5 bilhões em três anos, mas isto está sendo feito "em marcha lenta. "Poucas são as siderurgicas que estão efetivamente investindo. O que se faz agora são encomendas feitas há algum tempo. Mas, para o futuro, a preocupação persiste".
A Bardella forneceu equipamentos para o Porto de Sepetiba para movimentação de carga e está preparada para atender a demanda do setor siderurgico. Claudio Bardella salientou que agora se está voltando para o mercado externo novamente, "já que o real está mais alinhado em relação ao dólar. Não há mais aquela sobrevalorização que afastou os exportadores brasileiros do mercado internacional".
Claudio Bardella disse que o resultado do primeiro semestre foi bom, "mas poderia ser melhor se a carteira de pedidos tivesse recebido novas encomendas". A receita líquida da Bardella caiu 45,37%, passando de R$ 77,036 milhões para R$ 42 088 milhões. O seu resultado bruto fechou em R$ 857 mil,uma queda de 81,82% em relação ao acumulado do primeiro semestre de 98.
O resultado operacional, que no primeiro semestre do ano passado era de R$ 17,697 milhões, caiu para R$ 6,607 milhões no mesmo período deste ano. O resultado não operacional foi positivo em R$ 11,810 milhões. Em 30 de junho de 99, a empresa registrava patrimônio líquido de R$ 250,278 milhões e o lucro por ação foi de R$ 10,4581.

mockup