Falta de convívio social reflete na escola
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quinta-feira, 02 de junho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - Mudanças fazem parte da vida. Quem nunca trocou de escola, de emprego ou de cidade? A possibilidade que mais assusta, no entanto, é a de sair do País. Reconstruir a vida longe da família, dos amigos e em uma cultura totalmente diferente pe motivo de apreensão e até de medo.
Uma das maiores diferenças sentidas pelos brasileiros no exterior é a forma como as pessoas se relacionam, uma vez que a maior parte dos estrangeiros, em especial os de países de Primeiro Mundo, é considerada mais fechada.
''As pessoas são mais fechadas. As crianças não vão brincar na casa do amiguinho e não estreitam laços de amizade'', aponta a pesquisadora Mariana Coolican, que está prestes a concluir o doutorado em Análises de Políticas Educativas Internacionais, na Universidade de Kobe, no Japão.
Uma das principais consequência dessa falta de convívio social, segundo a pesquisadora, é que as crianças são menos estimuladas, o que reflete na qualidade do aprendizado. ''O desempenho é baixo principalmente no período de adaptação'', explica Mariana, que esteve recentemente no Colégio PGD, em Londrina, em busca de informações para a pesquisa ''Características das Famílias e Sucesso Escolar dos Estudantes Brasileiros em Escolas Brasileiras no Japão''. O trabalho é financiado pela Sociedade Japonesa de Promoção da Ciência.
De acordo com a pesquisadora, a rotina acelerada de trabalho do brasileiro no exterior impede que os pais tenham tempo para acompanhar a vida escolar do filho. Também falta dinheiro para investir na formação das crianças. ''No início, os pais trabalham muito e o retorno financeiro não é satisfatório. Por isso, a criança não frequenta cursos extras e não é devidamente incentivada em casa, o que prejudica significativamente o seu desenvolvimento'', constata.
Por isso, aponta Mariana, o ideal é que as crianças tivessem acompanhamento psicológico para superar os problemas principalmente na fase de adaptação. ''Na grande maioria das vezes, porém, isso não acontece'', reconhece.
De acordo com a pesquisadora, existem hoje no Japão 54 escolas brasileiras. Quem consegue vaga em uma dessas instituições leva vantagem, uma vez que as diferenças curriculares são ''mínimas'' e a adaptação numa eventual volta ao País fica ''mais fácil.''


