Falta de chuva preocupa produtores de laranja
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 07 (AE)- Depois de verem boa parte da produção de laranja deste ano ficar no pé por falta de comprador
os produtores do interior paulista estão preocupados com a seca
que deve causar redução da próxima safra. A estiagem deste inverno foi mais prolongada do que em outros anos e, em outubro, o volume de chuva foi de um terço da média. Além disso, citricultores que não tinham contrato de fornecimento com a indústria estão descapitalizados, sem condições de cuidar adequadamente dos pomares.
A produção deste ano foi maior do que a do ano passado - 330 milhões de caixas em 1998 e previsão de 388 milhões em 1999 -, mas a indústria de suco manteve o volume do ano passado, de 280 milhões. Com isso, conseguiu evitar a queda no preço internacional do suco, mas deixou a bomba nas mãos dos produtores, que não tinham para quem entregar a fruta.
Não existe ainda uma previsão para a próxima safra, mas a maior parte das flores que brotaram nos últimos meses foi para o chão, com a seca. "A chuva de setembro estimulou a florada, mas não foi suficiente para manter a flor no pé", explica o engenheiro agrônomo Paulo César Sentelhas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq), em Piracicaba (SP). Segundo ele, as chuvas de setembro, outubro e novembro são decisivas para a produção.
"A produtividade vai cair na próxima safra", diz Sentelhas. A produção total só não cai se houver um grande aumento na área plantada, mas o provável é que aconteça o contrário, com produtores, desanimados e sem recursos para o custeio, abandonando pomares.
O índice pluviométrico foi praticamente zero em todo o interior do Estado entre 20 de junho e início de setembro. Em outubro, choveu cerca de 40 milímetros, um terço do volume dos anos anteriores. De todo o Estado, somente as regiões de Assis e Vale do Ribeira estão com volume de chuva normal.
Preços - Uma eventual redução da próxima safra deve beneficiar os citricultores que conseguirem uma boa produção, mas a maioria deles não acredita que terá condições de cuidar do pomar de forma adequada. Os mais animados acreditam na repetição do que ocorreu no ano passado, quando a indústria chegou a pagar US$ 5,00 a caixa do produto.
Este ano, alegando um estoque de 330 mil toneladas, três vezes maior do que a média histórica, a indústria comprou fruta somente dos produtores com os quais tinha contrato. Esses contratos tinham preço entre US$ 2,50 e US$ 3,50 a caixa. Nas principais regiões produtores, as associações de citricultores informam que cerca de metade da produção é vendida com contrato, em geral de três anos.
Para os que não tinham contrato, a colheita deste ano começou com a indústria oferecendo R$ 2,80 pela caixa, em junho. O preço foi caindo para R$ 2,50 em julho, R$ 2,20 em agosto, R$ 2 em setembro, até chegar a R$ 1,80 em outubro e cair ainda mais
para R$ 1,60, atualmente. Na média, a fruta foi negociada este ano a R$ 2,15. No ano passado, o preço variou entre R$ 3,80 e R$ 4. A média deste ano também é menor do do que a de 1997, quando a caixa era vendida por um preço entre R$ 2,50 e R$ 2,80. "Tradicionalmente, o preço aumenta em outubro, mas este ano está acontecendo o contrário", diz a engenheira agrônoma Margarete Boteon, da Esalq.
A quantidade de fruta processada pela indústria pode ser ainda menor do que as 280 mil toneladas previstas, avalia Margarete. Nessa época, diz ela, a indústria já processou entre 75% e 80% do total. Este ano, entretanto, processou apenas 67% do total anunciado. "Para moer o total vai ser preciso trabalhar até fevereiro e não parar em janeiro, como nos outros anos."


