Falta de carinho e dependência química
Santo Antônio da Platina - O calvário de Jucimara Ferreira começou muito antes do filho ser recolhido em educandários. Erick, rejeitado pelo pai e criado pelo padrasto, se tornou dependente químico aos 15 anos, época em que cheirava cocaína diariamente.
Para manter o vício, furtava objetos em casa e depois começou a traficar. Aos 16, afundou-se no crack. Fugiu de clínicas de reabilitação e não prosseguiu o tratamento começado no Centro de Tratamento Psicossocial de Santo Antônio da Platina.
Aos 13, aproveitando a liberdade de ficar sozinho cuidando das irmãs mais novas enquanto a mãe trabalhava no corte de cana e o padrasto ganhava a vida como servente de pedreiro, já fumava maconha. ''Tratava ele muito mal. Era ausente, quase não via ele. Hoje percebo que errei. Ele não tinha carinho da mãe. Só nos aproximamos quando ele já estava no Cense e já tinha tirado a vida de uma pessoa'', conta Jucimara, demonstrando grande arrependimento.
A faxineira conta que a aproximação foi intensa. ''Quando ia visitá-lo, ele pedia carinho. Deitava no meu colo. Falava dos planos dele. Contava todas as intimidades. Falava da namorada e de como estava apaixonado. Até quando conseguia um baseado (cigarro de maconha) lá dentro, ele me contava. Pedia pra comprar um skate para ele. Sentia muita falta da liberdade mesmo'', relata a mãe, emocionada.
Jucimara sente um nó na garganta quando lembra das últimas conversas com o filho. ''Quando ele 'caiu', a gente morava num barraco. E ele sempre quis conhecer a casa nova. Ele dizia que não queria ver foto da casa, que ele queria conhecer de verdade. Não queria que eu mostrasse como era a casa. Queria ver só quando saísse de lá'', conta a mãe, hoje assentada numa casa de alvenaria de um conjunto habitacional.(L.F.M.)





