Falta de bombeiros 'sufoca' Curitiba
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domingo, 18 de junho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A falta de postos do Corpo de Bombeiros em 21 dos 25 municípios que formam a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) compromete o atendimento à população e sobrecarrega as seis unidades da capital parananense. A chegada do socorro, que deveria levar em média cinco minutos, pode demorar de 12 minutos a uma hora. As ocorrências nas cidades que carecem de uma guarnição respondem por 10% do total de chamados na RMC.
Devido à distância, não conseguimos atender naquele tempo ideal, mas não deixamos de atender, afirma o comandante geral do Corpo de Bombeiros do Estado, coronel Renê Roberto Witek. Mas não é apenas contra o relógio e os acidentes que os soldados têm de lutar. O efetivo em Curitiba, que é de 592 bombeiros, deveria ser o dobro. Temos um efetivo que suporta a demanda de chamados, mas está centralizado em Curitiba. A solução não depende apenas da corporação.
Estamos em contato com os prefeitos das maiores cidades da região metropolitana. É fundamental que eles tenham uma unidade, defende Witek. Em parceria, os municípios doam o terreno, constroem a unidade e criam um fundo de reequipamento do Corpo de Bombeiros, conhecido por Funrebom.
A corporação entra com os equipamentos, viaturas e seu efetivo. O custo para cada prefeitura pode chegar a R$ 200 mil. Um projeto apresentado pelo comando dos bombeiros à Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), autarquia ligada à Secretaria de Planejamento do Estado, prevê que oito municípios construam suas unidades entre 2000 e 2002. Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Colombo e Fazenda Rio Grande estão no cronograma deste ano.
Os municípios de Pinhais, Piraquara e Almirante Tamandaré devem criar suas unidades em 2001. No ano seguinte será a vez de Rio Branco do Sul. A importância da presença dos bombeiros fora da capital pode ser dimensionada pelo tipo de ocorrência mais corriqueira que existe: os acidentes de trânsito que, dependendo da gravidade, obrigam os socorristas a desempenhar um deslocamento rápido até o hospital. Cerca de 70% são emergências desta natureza nas cidades da RMC.
Campo Largo é a única exceção entre as cidades de médio porte da região. Tem sua própria unidade, erguida em conjunto com o Corpo de Bombeiros. Por causa de seu parque industrial, Araucária dispõe de uma companhia e deve ganhar a segunda. Como é a maior cidade da região metropolitana onde fica o principal aeroporto do Estado, São José dos Pinhais também não depende da capital.
A necessidade de desafogar o trabalho dos bombeiros de Curitiba começou no início dos anos 90. O coronel Witek explica que o crescimento demográfico gerou mais ocorrências. Na medida que esses municípios começaram a crescer, os atendimentos aumentaram a partir de 1991. Diante da falta de recursos materiais, os bombeiros se valem de programas educativos. Eles mantêm visitas regulares à escolas e empresas onde falam sobre métodos de prevenção a incêndios e como um civil deve se comportar em casos como este.


