São Paulo – A falta de um banco de artérias e veias no Brasil dificulta o início da realização e transplantes em pacientes com arteriosclerose no país. A cirurgia poderia evitar cerca de 10% das 100 mil amputações por ano ocasionadas por doença isquêmica (falta de circulação sanguínea).

"A arteriosclerose é comum após os 60 anos de idade e o grande problema para o transplante é a falta de um banco de artérias e veias no Brasil", afirma o cirurgião José Carlos Baptista Silva, coordenador do primeiro transplante do gênero no País.

A cirurgia, comum nos Estados Unidos, na França e na Alemanha, foi feita por professores da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade de Federal de São Paulo), em 25 de janeiro.

O transplante, feito por professores da instituição, teve baixo custo e foi realizado no Hospital São Paulo. O paciente tem 56 anos e é portador de arteriosclerose, além de apresentar histórico de doença renal crônica terminal, hipertensão e de já ter sido submetido a um transplante de rim há dois anos.

Durante três meses de consultas ambulatoriais, a equipe médica constatou que o tratamento clínico não apresentou melhora, e que havia risco de amputação. A revascularização seria a única alternativa para evitar a perda da perna. Como o paciente não tinha veias disponíveis para o procedimento, a opção foi usar artéria de doador falecido.

O paciente está em recuperação e o risco de rejeição é praticamente nulo. "Ele não apresenta dor, a circulação está normalizada, a cicatrização das feridas do pé começou e já consegue caminhar", comemora o cirurgião.

Baptista destaca que cerca de 50% dos casos de arteriosclerose poderiam ser evitados com medidas de prevenção. "Controlar a obesidade, o colesterol, os triglicérides, o diabetes, não fumar e evitar o sedentarismo são fatores essenciais para evitar amputações", alerta o cirurgião, citando que a Unifesp já começou a montar o primeiro banco de artérias e veias do País.

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