Cerca de 600 mil pessoas que moram em 30 municípios do interior de Pernambuco correm o risco iminente de sofrer colapso total no abastecimento d’água devido à estiagem que atinge o Estado há mais de um ano.
Em duas das principais cidades do agreste - Gravatá e Bezerros - os reservatórios já secaram e a população está sendo parcialmente abastecida com água transportada por trem.
Cada composição com oito vagões transporta aproximadamente 300 mil litros do produto, volume que representa pouco menos de 10% do consumo médio diário dessas cidades.
A água está sendo retirada de poços artesianos perfurados no porto de Suape, localizado no município de Cabo de Santo Agostinho, a 41 km da capital pernambucana.
Na Grande Recife, a crise também se agravou com a suspensão da captação na barragem de Botafogo, principal manancial de Olinda e de outros três municípios ao norte da região metropolitana.
Segundo a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), Botafogo está com apenas 2% de sua capacidade de armazenamento, que é de 28 milhões de metros cúbicos. Cada metro cúbico equivale a mil litros. Com a suspensão da captação na barragem, os cerca de 1 milhão de moradores da área norte da Grande Recife passaram a depender da água retirada de 130 poços artesianos e de pequenos rios da região. A quantidade fornecida - 2.000 litros por segundo - representa apenas 40% da necessidade, disse o presidente da Compesa, Gustavo Sampaio.
A distribuição está sendo controlada por meio de racionamento. Há três meses, os 3 milhões de habitantes dos 13 municípios que integram a Grande Recife recebem água por apenas 20 horas a cada cinco dias, em sistema de revezamento por bairros.
Segundo a Compesa, apesar da crise o racionamento não deverá ser ampliado. O presidente da estatal acredita que as chuvas previstas para este mês serão suficientes manter o atual esquema.
O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) pediu ao presidente Fernando Henrique, por telefone, apoio para a construção do Sistema de Pirapama, no Cabo, que poderá resolver o problema da falta d’água. A obra está paralisada há seis anos e tem pendência no Tribunal de Contas da União.
Jarbas solicitou à Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) a liberação de R$ 12 milhões para a construção de 41 poços entre os municípios de Olinda e Itamaracá.

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