Falta de água deixa laranja fora do padrão
Itápolis, SP, 07 (AE) - A seca está fazendo os produtores de Itápolis, na região de Araraquara (SP), perderem a esperança de ainda conseguir vender sua produção este ano, caso as indústrias de suco voltem a comprar. A falta de água no solo fez com que o fruto amadurecesse muito, com uma concentração de açúcar acima do padrão da indústria de suco.
Nas plantações de Itápolis, as árvores estão carregadas, mas os frutos estão murchos. Mesmo os produtores com contrato de fornecimento estão tendo a produção recusada pela indústria após a análise do nível de açúcar. Além do prejuízo por não conseguir vender a produção, os citricultores ainda têm de gastar para colher os frutos e preparar os pés para a florada, também em parte perdida. Em Itápolis existem até lixões onde os produtores despejam as toneladas de laranja recusadas pelas indústrias.
O desastre deste ano também fez com que alguns produtores começassem a vender a próxima safra. A prática sempre existiu, com contratos que geralmente duram três anos. Os que têm esses contratos ainda em vigor estão conseguindo colocar o produto nas indústrias.
A diferença é que, desta vez, o preço oferecido pelas indústrias é de US$ 1,80 a caixa, enquanto os contratos em vigor são na base de US$ 2,80 a até US$ 4,00 por caixa. Com receio da reação de outros plantadores, os produtores que assinaram esses contratos preferem manter a negociação em segredo. "Ouvi dizer que estão fazendo, mas não conheço ninguém que tenha vendido ainda", diz um produtor.
O presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga e da Associação dos Citricultores do Estado de São Paulo (Aciesp), Marco Antonio dos Santos, diz que a Coimbra, de Bebedouro, está oferecendo um contrato para este ano e o próximo, pagando de R$ 1,60 a R$ 1,80 a caixa este ano e US$ 1,80 no próximo. "Estão se prevenindo para a quebra de safra no ano que vem", diz Santos.
Desistência - Dois fatores devem contribuir para a redução da próxima safra, embora ainda não exista um levantamento oficial a respeito. Produtores que não conseguiram vender a produção deste ano investem menos nos cuidados com a próxima e outros desistem da cultura da laranja.
O produtor Sidney Vanuchi, de Araraquara, acha que pode perder as 200 mil caixas que produziu este ano e no próximo quer arrancar algumas árvores antigas para plantar pupunha (espécie de palmito) no lugar. "Não se pode depender de apenas uma cultura; tem de diversificar", diz Vanuchi. "Já que é preciso reduzir a área plantada, vou ajudar", diz, referindo-se ao aumento na área dedicada à laranja nos últimos anos.
Das 200 mil caixas, ele diz que 70 mil estão perdidas, por causa do grau de açúcar acima do exigido pela indústria. Apesar de ter uma produção irrigada, que poderia servir ao consumo in natura, ele diz que a região não tem tradição de produzir fruta para o mercado interno. "O mercado in natura é muito pior do que o da indústria", diz Vanuchi.





