Falta de acordo no Mercosul preocupa montadoras americanas
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2000
Por Marli Olmos 
Detroit, Michigan, 10 (AE) - A falta de entendimento entre os governos do Brasil e Argentina sobre o regime automotivo do Mercosul preocupa a cúpula das três maiores montadoras americanas. O presidente mundial da Chrysler, Robert Eaton, disse que este problema é crítico. "Não há nada mais importante acontecendo no Mercosul do que estas conversas entre Brasil e Argentina", disse numa entrevista na apresentação do Salão do Automóvel de Detroit.
"As partes precisam chegar a um entendimento imediatamente", destacou Eaton. O presidente mundial da Ford, Jacques Nasser, também considera essencial a fixação das regras que vão delinear o livre comércio entre os dois maiores produtores de veículos do Cone Sul. "Precisamos desta estabilidade", destacou.
A direção da General Motors lamenta ter de fazer a programação de produção para os próximos três meses nas fábricas do Brasil e Argentina sem qualquer base de apoio para quantificar volumes. "Fizemos nosso planejamento rezando", destacou o presidente da General Motors do Brasil, Frederick Henderson.
A expectativa dos executivos do setor está agora voltada para a reunião que os dois governos farão nesta quinta-feira. "A tendência destas negociações é mostrar que o Mercosul é uma via de duas mãos; por enquanto o governo brasileiro está demonstrando reconhecer que o governo argentino tem pouco mais do que 30 dias de vida", destacou o diretor de assuntos corporativos da Ford Brasil, Célio Batalha.
A Ford transferiu parte da linha Escort da Argentina para o Brasil. A versão station wagon - que representa a maior parte da produção desta linha - já foi deslocada para São Bernardo do Campo. Segundo Batalha, a empresa ainda não decidiu se irá transferir também a versão sedan.
A General Motors fechou a fábrica de Córdoba e vai deslocar a produção daquela planta - a picape Silverado - para São José dos Campos. Henderson informou, em Detroit, que a produção da Silverado no Brasil começará em abril. Um total de 150 carretas, que carregam todo o equipamento industrial de Córdoba, já está nas estradas, a caminho do Brasil.
Mas, enquanto encerra a operação em Córdoba, a General Motors vai, numa parceria com a japonesa Suzuki, iniciar a produção do modelo utilitário Grand Vitara, na fábrica de Rosário. Henderson também divulgou que o Suzuki argentino começará a ser produzido em abril. Apesar de a maior parte do volume deste modelo ser destinado para o Brasil, o veículo será fabricado na Argentina porque a paridade cambial naquele país facilita a importação de peças - predominante em linha novas.
Mas o presidente da General Motors demonstrou irritação com a indefinição do entendimento para a criação do regime automotivo do Mercosul. A GM investiu US$ 350 milhões na fábrica de Rosário, a mais nova na região. Segundo Henderson, este projeto foi desenvolvido dentro do conceito de um mercado regional. "Investimos pesadamente contando com o Mercosul", disse.
Em razão da falta de entendimento para regime automotivo regional, Brasil e Argentina fizeram um acordo transitório, válido por dois meses. Os dois governos têm até o final de fevereiro para concluir as regras para um comércio livre entre os países da região e as alíquotas de Imposto de Importação para os veículos e componentes comprados em países fora do bloco.
A principal divergência refere-se à balança comercial. O governo argentino receia que a vantagem brasileira nos custos de produção, resultado da desvalorização da moeda, continue provocando o deslocamento da produção para o Brasil.


