Falta de acordo gerou 'corrida', diz consultor
Londrina - Mais do que uma questão de consciência e responsabilidade social, a corrida pelo seguro ambiental reflete o temor das empresas em serem enquadradas pelos crimes ambientais que estão arriscadas a cometer. É a opinião do especialista em gestão ambiental e consultor Mateus Mendonça. Ele explica que a Política Nacional de Resíduos Sólidos previa a assinatura de um acordo setorial entre empresas e órgãos fiscalizadores que não foi cumprido de fato, o que as sujeita às responsabilidades decorridas dos danos ambientais.
"Pela não saída do termo de acordo setorial e pelo pouco número de projetos que permitem a logística reversa, que é a política de reaproveitamento dos resíduos, o risco das empresas serem acionadas pelo Ministério Público e pelo poder público é maior. Acredito que isso tenha gerado uma corrida aos seguros ambientais. A maior pressão do Estado faz com que as empresas que não conseguiram se adequar, não se planejaram, não desenvolveram projetos, tivessem que criar uma alternativa para se proteger frente à legislação", observa.
O especialista também pondera que o próprio Estado tem claras deficiências em fazer cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos ao não oferecer infraestrutura em logística e patinar na elaboração de planos municipais de gestão de resíduos.
"É uma lei muito complexa, com muitos detalhes, e não é só a falta de interesse das empresas em cumprir a legislação. É também a falta de estrutura do Estado, a concentração das usinas de reciclagem e o alto consumo logístico que dificultam o retorno desses materiais para o efetivo e correto encaminhamento para a reciclagem, que é a etapa final da logística reversa", questiona. (D.P.)





