São Paulo, 14 (AE)- O ministro de Desenvolvimento, Alcides Tápias, está preocupado com as dificuldades para chegar a um acordo com o governo argentino sobre o regime automotivo. De acordo com uma fonte do ministério, o ministro teria afirmado que o atual regime argentino, que pode ser prorrogado por mais alguns anos (até 2003) se a Organização Mundial do Comércio (OMC) aprovar o pedido do governo De la Rúa, vai contra os interesses do Brasil. Hoje e amanhã, representantes dos dois países vão se reunir em São Paulo para tentar novamente chegar a um acordo sobre o que fazer com os regimes dos dois países ou sobre um eventual regime automotriz comum para o Mercosul.
A definição de novas regras, sob as quais terá de regir o comércio automotivo durante os próximos anos, foi suspenso depois que os dois governos decidiram prorrogar o regime atual até que uma auditoria internacional independente faça o levantamento dos subsídios concedidos à indústria automobilística brasileira. A delegação argentina será presidida pela secretária (ministra) de Comércio e Indústria, Débora Giorgi. Já o Brasil será representado pelo embaixador José Botafogo Gonçalves e pelo secretário de Política Industrial, Hélio Mattar.
Para a Argentina, a eliminação dos subsídios que favorecem a instalação de montadoras no Brasil e, depois, a produção de veículos, é o fator-chave para chegar a um acordo e a um comércio equilibrado entre os dois países. Débora Giorgi disse antes de embarcar para São Paulo que, até o dia 29 deste mês, é necessário fixar novas regras que deverão entrar em vigor a partir do dia 1º de março até julho ou agosto, período previsto para chegar a um regime comum automotivo para o Mercosul. Giorgi disse também que será necessário estabelecer tarifas para importar carros e autopeças, além de multas, se houver diferenças no comércio, cujo mecanismo de "um por um" foi estabelecido recentemente.
De acordo com as fontes do Ministério de Desenvolvimento
ouvidas agora há pouco pela Agência Estado, as discussões entre as duas delegações terão de terminar amanhã às 17h30. As mesmas fontes informaram, entretanto, que, até uma semana atrás, não havia novidade alguma em relação à postura argentina.

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