Falta de ação na área fiscal dilui efeito positivo das metas
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Paulo Sotero 
Washington, 29 (AE) - O novo sistema de administração da política monetária por meio de metas inflacionárias, que o Banco Central deve introduzir amanhã, é bem visto visto por analistas e investidores e, em tese, ajudará a reforçar a confiança na economia do País. A expectativa é que o Conselho Monetário Nacional estabeleça metas de 7% este ano e 4% no ano que vem e recomende números mais baixos para o período 2001-2003, usando o IPC-A como medida. Espera-se também, que o regime brasileiro de metas inflacionárias siga o modelo inglês, que deixa uma margem de erro de 1% para cima ou para baixo.
"Tudo isso nos parece muito positivo, mas os benefícios do novo regime parecem decididamente limitados sem um esforço fiscal e não há atualmente interesse político em novas reformas fiscais penosas", informou hoje a seus clientes o G-7 Group, uma empresa de análise de risco e previsão econômica sediada em Washington. Com o déficit público nominal perto de estratosféricos 11%, a percepção dominante entre analistas que acompanham a economia brasileira é que a contenção da inflação depois da crise cambial de janeiro, num ambiente menos recessivo do que inicialmente imaginado, e o sucesso do presidente do BC, Armínio Fraga, em reformar a política monetária e restaurar a confiança dos investidores, convenceu muitos congressitas brasileiros de que as reformas fiscais não são necessárias. Assim, o País corre o risco de continuar a enfrentar essencialmente o mesmo problema que tolheu sua economia no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique, ou seja: o peso da administração da política econômica continuará concentrado na política monetária.
"Como o ciclo virtuoso de taxas de juros mais baixas, inflação baixa e um real mais forte depende em última análise do sentimento dos investidores, o fardo precisa ser dividido igualmente entre as políticas monetárias e fiscal", ponderou o G-7. "Com o mau desempenho fiscal ameaçando diluir os efeitos positivos do regime de metas inflacionárias, a administração Cardoso precisa agora equilibrar a política econômica redirecionando sua energias para as reformas fiscais".


