'Falta consciência do profissional de saúde'
Para o infectologista Jan Walter Stegmann, o aumento no número de casos de aids na terceira idade está relacionado a diversos fatores, em especial ao fato de o idoso manter a vida sexual ativa e não ter o hábito de usar preservativo.
''O contágio na maioria das vezes acontece por meio da relação sexual. As pessoas da terceira idade estão se separando mais, tendo novos relacionamentos, fazendo mais sexo. Tudo isso acontece porque as mulheres estão mais vaidosas e os homens têm o vigor sexual mantido com medicações contra impotência'', pontua.
O médico ressalta que o idoso resiste em utilizar preservativo porque, além da falta de costume, encontra dificuldade para colocá-lo. ''Nessa faixa etária a ereção é menor. Eles não podem se desconcentrar. Além disso, são da época em que o costume era recorrer aos preservativos como método contraceptivo'', declara.
Na opinião de Stegmann, falta consciência do profissional de saúde em relação às doenças sexualmente transmissíveis (DST) entre os idosos. ''Muitas vezes o profissional não considera que o idoso tem vida sexual ativa e não dispensa as orientações necessárias previamente'', diz. Outra dificuldade, segundo ele, é que normalmente há um retardo no diagnóstico da doença. ''Muitos sintomas são os mesmos de problemas próprios da terceira idade, como alterações neurológicas e demência'', explica.
O enfermeiro do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), Edvilson Cristiano Lentine, confirma que o aumento no número de casos é nítido, mas avalia que, aos poucos, o idoso está se conscientizando sobre o problema. ''Prova disso é que estão buscando preservativo com mais frequência nos postos'', assevera.
Lentine destaca a necessidade da utilização do preservativo em todas as relações sexuais. ''Mesmo que o homem e a mulher sejam soropositivos é importante usar a camisinha'', orienta, explicando que o uso evita um possível aumento de carga viral entre os parceiros, além de prevenir a infecção por HIV mutantes. O enfermeiro acrescenta que a aids é uma doença silenciosa e que o vírus pode demorar até dez anos para se manifestar.
O CTA conta com profissionais capacitados para realizar o teste rápido para verificar se o paciente é portador do vírus. O resultado sai em 15 minutos. Antes, a pessoa recebe orientações em grupo. O teste é gratuito.(P.C.B.)
Serviço
Em Londrina, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) fica na Rua Souza Naves, esquina com a Alameda Miguel Ribas.
Informações: (43) 3378-0146





