Falta bolsas para os osteomizados no HC
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Pacientes que foram ao Hospital de Clínicas (HC) de Londrina nesta semana para buscar bolsas de colostomia gratuitamente voltaram frustrados para casa. O material é usado por pessoas osteomizadas que precisam fazer a drenagem de fezes ou urina através de sonda e tem de ser trocado frequentemente. A distribuição dessas bolsas para pacientes carentes tem apresentado falhas desde o ano passado, quando o programa de repasses passou a ser gerenciado pelo Município. O problema foi discutido em uma reunião realizada na última sexta-feira entre HC e Secretaria Municipal de Saúde.
Além da decepção de não receber sua cota mensal de bolsas, o encanador Américo Néris Filho, 48 anos, sentiu a indignação de ter perdido viagem quando esteve no HC há três dias. Ele mora em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e depende do repasse para viver normalmente. ''Não é a primeira vez que faltam as bolsas. Tem um monte de gente ainda mais humilde, que fica esperando que alguém faça uma caridade'', declarou Américo.
O trabalhador é um dos 218 pacientes cadastrados no HC para receber as bolsas de colostomia gratuitas. O atendimento engloba os 20 municípios que compõem a 17 Regional de Saúde (RS) de Londrina. Segundo a enfermeira responsável pelo programa de repasses no HC, Isabel Regina Inocente, desde que o município passou a ser responsável pela aquisição do material, em fevereiro de 2004, a falta de estoque passou a ser constante. Até então, o programa era gerenciado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar).
''No ano passado o sofrimento foi enorme para os pacientes e para os próprios profissionais. É muito difícil você dizer para um paciente que não tem bolsa para dar a ele'', lamentou Isabel. De acordo com ela, aqueles que não têm recursos para adquirir o material na rede particular resolvem a situação com fraldas, panos e até saquinhos de leite. Em situações normais o HC distribui, em média, sete bolsas por mês para cada paciente. A enfermeira atribuiu os problemas à falta de estrutura interna da Secretaria Municipal de Saúde para gerenciar o serviço.
A diretora executiva da secretaria, Margarete Shimiti, informou que uma nova remessa de bolsas para osteomizados chegou anteontem e já poderá ser distribuída aos pacientes na próxima semana. ''Vamos utilizar o relatório médico que mostra os resultados obtidos com as bolsas atuais para justificar uma eventual mudança de fornecedor. Como se trata de licitação pública, não podemos ser tendenciosos'', explicou.
De acordo com Margarete, a prefeitura gasta cerca de R$ 8 mil por mês com a compra do material. Ela comentou que muitos pacientes cadastrados atualmente no programa de repasses do HC poderiam deixar de usar a bolsa se fossem submetidos a cirurgias de reconstituição de fluxo intestinal.


