O processo, iniciado há um século, que condenou Padre Cícero por falsos milagres vai ser revisto pela Igreja Católica. O Vaticano decidiu reabrir a investigação sobre o padre que, para os nordestinos, já é cultuado como santo. ''Há expectativa para a sua beatificação ainda durante o período de papado de João Paulo II'', informou ontem o assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil do Ceará (CNBB-CE), Gilson Soares. De acordo com ele, já existe, no Crato, a 542 km de Fortaleza, uma equipe de historiadores pesquisando sobre a vida de Padre Cícero.
Padre Cícero Romão Batista foi escolhido este ano, em pesquisa feita pela TV Verdes Mares em todos os municípios do Estado, o Cearense do Século. Ele nasceu em 24 de março de 1844. Em 1871 celebrou a primeira missa em Juazeiro do Norte. No ano seguinte, fixou residência em Juazeiro, onde se tornou o primeiro prefeito. Em março de 1889 teria acontecido o milagre da hóstia com sangue através da beata Maria de Araújo.
Maria de Araújo era uma artesã que vivia em Juazeiro do Norte. Dominada pela fé febril, tornara-se beata. Tinha transes tão agudos a ponto de minar sangue de sua língua, tornando avermelhada cada hóstia que o Padre Cícero lhe colocava na boca. O fato ocorreu pela primeira vez na manhã de 6 de março de 1889 e se repetiu várias vezes.
A Igreja resolveu suspender os votos de Padre Cícero ameaçando-o de excomunhão por propagar o fato como milagre. Mesmo assim, tornou-se uma celebridade. Alguns biógrafos revelam que o padre era capaz de passar 14 horas seguidas sentado no confessionário, ouvindo e orientando aos que buscavam o consolo de sua absolvição e de seus conselhos.

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