Falsos fiscais sequestravam empresários
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quinta-feira, 01 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Sete pessoas foram presas, ontem, em Curitiba e Joinville (SC) suspeitas de integrarem uma quadrilha acusada de sequestros e extorsões a empresários de vários estados brasileiros. Eles atraíam suas vítimas se passando por fiscais da Receita Federal oferecendo mercadorias que teriam sido apreendidas e seriam vendidas sem nota fiscal. Seis vítimas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Roraima já foram identificadas pela polícia.
Segundo o delegado chefe do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Grupo Tigre), Riad Farhat, as vítimas vinham de avião até Curitiba com a proposta de adquirir contêineres de mercadorias bem abaixo do preço. Elas eram recepcionadas no Aeroporto Afonso Pena por alguns integrantes da quadrilha e se dirigiam ao local onde supostamente estariam os produtos.
No trajeto, outros integrantes em carros simulando viaturas policiais abordavam o veículo com as vítimas e davam voz de prisão. Para Farhat, assim os empresários eram intimidado e não reagiriam. Logo em seguida, a caminho da delegacia, eles eram informados do sequestro e instruídos a pedir um depósito em um conta determinada pelo grupo no valor da negociação da mercadoria. Eles eram liberados assim que o dinheiro caía na conta e eram intimidados a não queixa na polícia.
Por envolver o empresário em uma situação de ilegalidade e simular a participação de policiais no crime, Farhat acredita que muitas vítimas não davam queixa por medo. O grupo passou a ser investigado após a denúncia de um empresário do ramo de produtos hospitalares de Roraima, há quatro meses. O último sequestro aconteceu há três dias e mais duas ações estavam programadas para a próxima semana.
A polícia não soube precisar os valores levantados pelo grupo, mas cada sequestro já descoberto envolvia entre R$ 70 mil e R$ 200 mil. As vítimas eram escolhidas por classificados de jornais de empresas procurando comprar produtos específicos, depois oferecidos pela quadrilha. Para praticar esses crimes, a quadrilha juntou a inteligência do estelionatário com a truculência do ladrão. E atraíam os empresários pela ganância, afirmou Farhat.
Cinco suspeitos de integrarem a quadrilha moravam em Curitiba e dois, sendo um o chefe do grupo, em Joinville. Mas o grupo mudava de cidade sempre que levantava suspeita da polícia. Há registro de sequestros e até mortes praticados por eles em Santos, Porto Alegre e Itajaí.
O delegado chefe do Tigre descarta envolvimento de policiais ou fiscais da Receita Federal. Os suspeitos foram autuados pelos crimes de extorsão mediante sequestro, formação de quadrilha, porte ilegal de armas e falsificação de documentos. Eles foram encaminhados para o Centro de Triagem II, em Piraquara.


