Belo Horizonte - Após um ano e meio de investigações, a Polícia Civil de Minas Gerais prendeu ontem Wilson Carmindo da Silva, que se passava por pastor evangélico, acusado de vários crimes, inclusive tortura e homicídio, praticados contra meninos de rua ou crianças que trabalhavam nas ruas de Belo Horizonte vendendo guloseimas em sinas de trânsito.
Na casa dele, foram encontrados 19 menores vivendo sob cárcere privado e maus-tratos. Um desses meninos estava desaparecido desde 1998, e outros três, desde 1999.
A Delegacia de Orientação ao Menor, que participou das investigações com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas, descobriu a ossada de garoto registrado como desaparecido desde 2000.
Por meio do depoimento de outros meninos, a polícia chegou ao local onde o corpo tinha sido enterrado pelas próprias vítimas do falso pastor. ‘‘Eles foram obrigados a enterrar o corpo’’, disse a delegada Cristina Coeli, acrescentando que as condições da morte ainda estão sendo apuradas.
O falso pastor será indiciado pelos seguintes crimes: homicídio, ocultação de cadáver, lesão corporal, atentado violento ao pudor, tortura, sequestro e cárcere privado. São pelo menos 44 meninos que passaram pelo sítio nos últimos anos.
Segundo a delegada, Silva continua negando os crimes, apesar de ter sido preso em flagrante.

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