Falso padre é preso em Tambaú ; golpes estavam sendo aplicados desde 92
Ribeirão Preto, SP, 28 (AE) - A polícia de Tambaú, na região de Ribeirão Preto (SP), conhecida pelas romarias em louvor ao padre Donizetti Tavares de Lima, prendeu na noite de ontem (27) um falso padre que se identificava como frei José Maria Moreira. O falso padre é acusado de enganar pessoas, roubar as paróquias por onde passava, além de celebrar missas e casamentos. Foi aberto inquérito policial por estelionato e falsificação de documentos contra Edvaldo de Oliveira Rosa, de 29 anos, o nome verdadeiro do falsário. A polícia descobriu que o acusado está com a prisão temporária decretada, desde março, em São José do Rio Preto.
O falso padre foi denunciado pela paróquia de Tambaú, onde havia pedido hospedagem, após apresentar-se como frei José Maria Moreira, vindo de Fortaleza, e de passagem pela cidade. A história intrigou os religiosos pois tinha semelhança com golpes aplicados em outros lugares do Brasil. Jornais internos da igreja católica também alertavam os padres sobre um certo falsário negro, forte e de bigode, que dizia ter trabalhado em Angola. Ele foi preso ao participar de um programa religioso na Rádio Tambaú, pertencente à Igreja Católica. Detido como suspeito e conduzido à delegacia, confessou ao delegado José Guilherme Torrens de Camargo, durante o trajeto, que não era padre e que praticava golpes em igrejas desde 1992.
Entre seus pertences foram encontrados vários documentos falsos, como carteiras de identificação franciscana e presbiteral em nome do falso frei, hábitos e outros paramentos da igreja, além de cheques furtados. Um Anuário Católico, com endereços das paróquias, também foi descoberto. Em poder destes dados ele telefonava e se identificava como superior dos padres, avisando que enviaria um subordinado para uma visita à cidade, onde deveria ser acolhido por alguns dias. O falso frei ganhava a confiança dos padres e, à noite, preparava um chá com sonífero. Assim, roubava o que lhe interessava. Uma das vítimas, o padre Lauro Luiz Vizioli, de Guarulhos, na Grande São Paulo, esteve em Tambaú hoje para reconhecer o homem que o enganou e quase provocou sua morte em 27 de maio.
"Ele é muito frio e perigoso", disse Vizioli, que só acordou na tarde do dia seguinte no Hospital Carlos Chagas, após um início de parada cardíaca. "Tive sorte porque o meu organismo absorveu a droga". Em Guarulhos, o falso padre deixou um Gol vermelho, quebrado, que tinha sido furtado em São José do Rio Preto. Lá, ele também usou o nome José Maria Moreira e roubou uma caminhonete dupla S-10, eletrodomésticos, perfumes, computador, roupas e R$ 11,8 mil em dinheiro, totalizando cerca de R$ 80 mil no golpe, sendo que a maioria pertencia à paróquia. Ontem, após a polícia encontrar o cartão do banco e cheques furtados com o falsário, o padre Vizioli foi contatado.
O delegado informou que Rosa disse ter sido preso em 1992, durante três meses, em Duque de Caxias (RJ). Sua ação em São Paulo teria começado em 1995. O golpe em São José do Rio Preto ocorreu em julho do ano passado. Não foram confirmados outros crimes no interior paulista. Existe a suspeita de que ele poderia ter atuado em Belém. Uma xérox mostra o falso padre realizando um casamento ao lado de um bispo, provavelmente em Pernambuco. Segundo o padre Vizioli, os casamentos que teriam sido realizados por Rosa não são válidos. A solução seria reunir os casais enganados e ratificar a união por outro sacerdote. "Com certeza, esse rapaz estudou em seminário, pois celebrou missa muito bem", diz Vizioli.





