Falso bispo faz cadastro para o Fome Zero
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quinta-feira, 10 de julho de 2003
Agência Estado 
Rio - Cerca de mil pessoas invadiram ontem a sede do Centro Socyal Benefycente Mylytar do Brazyl, em Realengo, na zona oeste do Rio, que durante o mês de junho cadastrou seis mil candidatos ao Programa Fome Zero. O presidente da instituição, que se apresentou como bispo Heleno Teixeira dos Santos, prometia entregar ontem cheques de R$ 100 a R$ 250 e cestas básicas, mas desapareceu. Revoltada, a população invadiu a casa e tentou resgatar fotos e documentos entregues ao falso bispo. A Polícia Militar teve que conter o grupo.
O anúncio de que estavam sendo cadastrados candidatos ao programa do governo federal chamou a atenção de vizinhos do Centro Socyal e se espalhou. Apareceram moradores de outros bairros da zona oeste, como Sepetiba, Campo Grande, e até dos municípios de Niterói e São Gonçalo.
Os interessados tinham que entregar cópias de carteiras de identidade, CPF, título de eleitor, carteira de trabalho, comprovante de residência, certidão de nascimento dos filhos, carteira de vacinação. Além disso, precisavam comprar por R$ 0,15 um formulário, que só era vendido por um armarinho nas redondezas. Ontem a loja estava fechada. Os candidatos aos benefícios pagavam ainda R$ 0,15 pelo preenchimento do documento.
O bispo Heleno, como era conhecido, assinava o formulário. Sob seu nome, a inscrição: professor ecologista holístico. Heleno cadastrou desempregados, idosos e deficientes físicos. Diante da informação de que nada seria entregue ontem o grupo invadiu a casa, quebrou móveis e tentou recuperar seus formulários.
O delegado Nerval Goulart garantiu que o falso bispo não conseguiria usar os dados porque nenhum órgão público aceita fotocópia de documentos. À ex-secretária Jaqueline Silveira de Miranda, de 32 anos, o bispo Heleno disse que usaria os dados para conseguir se candidatar a vereador. Se apresentasse assinatura de duas mil pessoas ele receberia verba do partido ela não soube informar qual para ajudar na campanha. Ela contou que ele já havia usado o mesmo expediente com o Programa Cheque-Cidadão, do governo do Estado.
Jaqueline contou ainda que o ex-patrão tem documentos que comprovariam que ele representa oito associações diferentes - todos falsos. Ela trabalhou apenas uma semana com Heleno e deixou o cargo por desconfiar das atividades dele. O ''bispo'' pagou Jaqueline com um cheque de R$ 50. Sem fundos.


