Falsário confessa participação em esquema de lavagem de dinheiro
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sábado, 22 de abril de 2000
Por Mauri Konig (especial para a AE) 
São Paulo, 23 (AE) - Preso na semana passada em Foz do Iguaçu (PR) por falsidade ideológica e documental, o gaúcho Hamilton Fernandes Brose, de 49 anos, revelou ter participado de um esquema internacional de lavagem de dinheiro. Brose disse ter sido contratado para trocar o equivalente a US$ 3,5 milhões em dinares (moeda de países do Oriente Médio), logo depois da Guerra do Golfo. O dinheiro não tinha comprovação de origem e saiu clandestinamente do Brasil.
Por causa dos 30 anos de experiência como falsário e estelionatário, Brose conta que em 1991 foi contratado pela libanesa Saleh Farah para vender no exterior uma grande quantidade de moeda iraquiana, desvalorizada em decorrência da guerra. Ela seria a responsável pela arrecadação do dinheiro entre empresários árabes. O falsário ganhou comissão de 30% sobre as transações efetuadas.
Saleh teria passado para Brose nove números de contas correntes, nas quais o dinheiro já convertido em dólares - imóveis também entraram na negociação - deveria ser depositado. Segundo ele, as contas são dos bancos Sudameris, Citibank, Bank Boston, ABN Amro Bank, Mitsubishi, Português, Bozano Simonsen, Marca e Mundial. O dinheiro saiu do Brasil em malas, cruzando as fronteiras de Santana do Livramento (RS), Ponta Porã (MS) e Corumbá (MS).
Com habilidade para a falsificação, percorreu mais de 20 países com quatro passaportes falsos. Ao ser preso, possuía identidade em nome de Elias Caetano da Silva e vários documentos ilegais. Brose conta que suas atividades começaram em 1971, depois de dar baixa na Aeronáutica, em Canoas (RS). Ele também diz que é formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas nunca conseguiu o registro da OAB por causa dos processos aos quais responde.
Preso diversas vezes, Brose só cumpriu pena em duas ocasiões. A primeira por estelionato e a segunda ao ser encontrado com 80 cartões de crédito falsos e a mesma quantia de cédulas de identidade em branco ou já preenchidas.
Neste caso, foi absolvido por falta de provas. Brose estava em Foz para negociar dinares com árabes da fronteira, que, ao contrário dos de São Paulo, estavam comprando ao invés de vender a moeda.
Em Canoas, Brose é acusado de dar golpe em várias mulheres, por meio de uma clínica de ginecologia e obstetrícia, comprada ilegalmente. Brose conta que, em 1979, adquiriu uma frota de táxis e revendeu-a dois dias depois, sem pagar nada à concessionária. O sócio dele no negócio era o mesmo que o apresentou a Saleh Farah. A clínica foi comprada com esse dinheiro e depois revendida.


