Falsa testemunha interrompe júri no Pará
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Um fato inusitado interrompeu ontem o julgamento dos acusados no caso dos meninos mutilados de Altamira (777 km de Belém). Um homem tentou depor no lugar do irmão, que é uma das testemunhas de defesa. Ivan de Souza Reis seria a última testemunha arrolada ontem, mas, em seu lugar, compareceu seu irmão, Hidelbrando de Souza Reis. A troca foi percebida pouco depois de Hildebrando iniciar seu testemunho. O juiz Ronaldo Valle anulou o depoimento da testemunha.
Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Pará, o juiz suspendeu a sessão, mas assegurou que o fato não representa motivos para nulidade do processo. Hidelbrando foi encaminhado para a Delegacia Seccional Urbana do Comércio para prestar depoimento. O juiz determinou que um promotor e um oficial de Justiça acompanhassem suas declarações.
O julgamento deve ser retomado hoje, com os debates entre a promotoria e a defesa dos acusados, a partir das 8h30.
Dois sobreviventes do caso compareceram ontem ao TJ. O médico Anísio Ferreira de Souza, um dos cinco acusados de matar e castrar garotos entre 1989 e 1993, está no banco dos réus. W. e O., que também foram vítimas dos rituais, prestaram informações sobre os crimes e descreveram o homem que os atraiu para o matagal, onde sofreram as agressões.
W., acompanhado pela psicóloga F.K., disse que nunca tinha visto os demais acusados, apenas Souza e Carlos Alberto dos Santos condenado a 35 anos de prisão na última sexta-feira. A vítima ainda afirmou que nunca havia se consultado na clínica do médico.
Duas testemunhas Agostinho José Costa e Edite da Mota Chaves afirmaram ontem, em depoimento no TJ, que os dois médicos acusados Souza e Césio Brandão se conheciam, contrariando as declarações prestadas por eles durante interrogatório em juízo e no júri. Costa, o primeiro a ser ouvido, afirmou que viu um médico na clínica do outro. Ele também disse que viu Brandão sair do matagal logo depois de ser encontrado o corpo de um dos meninos, com os órgãos genitais mutilados e assassinado. Souza negou, em julgamento, a autoria dos crimes.
O outro médico acusado do crime, Césio Brandão, será julgado na próxima segunda-feira. Valentina de Andrade suposta líder de uma seita religiosa ligada a magia negra , que também deveria comparecer à sessão para tomar conhecimento da data de seu julgamento, não apareceu. Ela mora em Londrina. A defesa da acusada afirmou que ela está hospitalizada. Ontem pela manhã, dois investigadores da Polícia Civil de Londrina tentaram localizar Valentina em uma clínica de repouso na cidade mas ela não estava internada no local.
O juiz já havia dividido o processo em duas partes. Na última sexta, o ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos e o comerciante Amailton Madeira Gomes foram condenados a 35 e a 57 anos de prisão, respectivamente.


