Dili, 29 (AE-AP) - Ex-guerrilheiros que lutaram durante décadas pela independência do Timor Leste criaram bloqueios rodoviários nesta quarta-feira (29) e construíram abrigos para guardas em regiões timorenses onde as forças de paz internacionais ainda não chegaram.
As operações dos guerrilheiros da Falintil eram uma aparente violação ao acordo para que permanecesse em áreas designadas e abandonassem suas armas.
A maioria dos guerrilheiros obedeceu às ordens em Dili, onde uma força multinacional restaurou suficientemente a ordem para milhares de refugiados retornarem às suas casas destruídas.
Mas em bairros afastados, eles treinam moradores para que protejam suas casas - às vezes apenas com arcos e flechas - de milicianos pró-Indonésia que ainda circulam livremente, acredita-se.
"Nós combateremos qualquer um que queira ser nosso inimigo, seja a milícia ou qualquer outra coisa", disse Bonivacio da Cunha, que aderiu a uma força de defesa de 25 homens na cidade devastada de Manatuto.
Nesta quarta-feira, a Comissão de Direitos Humanos da ONU informou que levará adiante uma investigação sobre as denúncias de violações aos direitos humanos em Timor Leste com ou sem a cooperação da Indonésia.
O governo de Jacarta rejeitou hoje a resolução da ONU sobre a criação de uma equipe para investigar as denúncias de massacres. "Rejeitamos a resolução e rejeitamos também a comissão", disse o ministro da Justiça, Muladi, após reunião ministerial em Jacarta.
O secretário de Defesa norte-americano William Cohen pediu ao governo indonésio que controle os militares que apóiam as milícias em Timor Leste, acusadas de matar milhares de pessoas em uma sangrenta campanha contra a independência da ex-colônia portuguesa.
Cohen também anunciou o aumento da participação de soldados norte-americanos na Força Internacional da ONU para Timor Leste (Interfet) e acrescentou que os Estados Unidos enviarão um navio de guerra e quatro helicópteros de carga para a região.
Soldados da Interfet descobriram hoje um importante depósito de armas das milícias durante uma operação de busca na localidade de Com, 200 quilômetros a leste de Dili, controlada pela missão de paz na segunda-feira à noite.
Ainda hoje, o governo indonésio negou que membros de seu corpo de elite, a Kopassus, estejam operando em Timor Leste um dia depois que a Interfet deteve dez militares com identidades dessa força.

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