Objetivo da Prova Paraná é fazer diagnóstico” dos conhecimentos em língua portuguesa e matemática
Objetivo da Prova Paraná é fazer diagnóstico” dos conhecimentos em língua portuguesa e matemática | Foto: Shutterstock

A Seed (Secretaria Estadual de Educação) precisou correr contra o tempo para entrar em contato através de notas e videos conferências com os Núcleos Regionais e Secretarias Municipais de Educação por conta de erros encontrados em 11 questões da Prova Paraná. “Diagnóstico” dos conhecimentos em língua portuguesa e matemática de estudantes dos ensinos fundamental e médio, a Prova Paraná é aplicada bimestralmente e, de acordo com o superintendente da Seed, Raph Gomes Alves, não houve a necessidade de suspender a edição desta terça-feira (11), a segunda do ano, em função dos erros encontrados já no momento da impressão das provas.

Alves explica que os alunos vão encontrar incongruências em questões de língua portuguesa por conta de falhas na diagramação dos cadernos de prova. Dessa forma, palavras solicitadas no enunciado e que deveriam constar em uma determinada linha do texto vão ser encontradas próximas da linha indicada. “Não é o desejado, mas também não é algo que compromete o conteúdo e a qualidade da prova”, avaliou.

“Teve uma falha em relação a essa organização da diagramação, foi além do que desejávamos porque a prova tem um peso forte, um critério de elaboração muito bacana, infelizmente aconteceu. Identificamos com as provas já praticamente finalizando a rodagem”, justificou.

Mesmo assim a aplicação da Prova Paraná está programada para ocorrer em todas as 2143 escolas estaduais com os alunos do 2º ano do ensino médio. Já nos municípios agora é a vez dos alunos do 2º, 7º e 8º anos do ensino fundamental. Ao todo são 20 questões objetivas de matemática e 20 de língua portuguesa.

Questionado quais medidas alternativas ao cancelamento foram tomadas, Alves afirmou que foi necessário pedir a compreensão dos diretores e professores para orientarem os alunos de modo a não desperdiçarem o tempo de realização da prova, que é de duas horas. Por isso, nesta terça (11), o cronômetro só passará a contar após os alunos compreenderem essas orientações. No caso de estudantes da educação especial a duração é ainda maior. “O passo é a revisão dos procedimentos e fluxos da próxima, revisão também de algumas pessoas que tomaram conta e melhorar”, afirmou.

Para a vice-presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Marlei Fernandes, a situação não é tão simples. “Fica muito difícil de aplicar a prova, vai mais confundir os nossos estudantes. Deveria inclusive ter sido suspensa e não atinge os objetivos”, criticou. A reportagem não conseguiu contato com a Upes (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas).

Hoje em dia a Prova Paraná é inteiramente desenvolvida pela Seed, que já lançou um aplicativo para facilitar a correção. “É o 'Corrige', ele começa sendo usado para a Prova Paraná, só que estamos desenvolvendo numa lógica para que o professor possa usar depois para corrigir as suas avaliações”, explicou Alves.

MATEMÁTICA

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, mais de 434 mil estudantes de turmas de 5º, 6º e 9º anos do ensino fundamental e 1ª e 3ª séries do ensino médio fizeram a primeira edição da Prova Paraná, em abril deste ano. O número corresponde a 88,5% do total de alunos. “Se compararmos a média de participação de estudantes em avaliações deste tipo, esse índice foi excelente, claro que queremos que todos participem”, avaliou Alves.

No entanto, os resultados dos alunos do ensino médio nas questões de matemática foram os mais preocupantes. Na média geral, os alunos do 1º ano tiveram 28,55% de assertividade. Já os do 3º, 29,62%. Entre as competências que fizeram falta e colaboraram para o baixo resultado estão reconhecer a representação algébrica de uma função de 1º grau de acordo com o seu gráfico, ou vice-versa, e na resolução de problemas que envolviam porcentagem.

Só para se ter uma ideia, apenas 10,7% dos alunos do 1º ano do ensino médio souberam responder corretamente à questão que pedia o percentual de evolução do preço de um sanduíche que custava R$ 3,00 e passou a custar R$ 3,45. Ao mesmo tempo pouco mais de 16% dos alunos da 3ª série do ensino médio acertaram. "Para nós ficou bem icônico porque era uma questão simples", lamentou Alves.

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