Falhas não desanimam investidores
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Edilson Coelho 
São Paulo, 30 (AE) - A falha na acústica da casa de espetáculo Credicard Hall não tirou o ânimo do grupo de investidores que desembolsou R$ 34 milhões para colocar em pé o maior empreendimento de shows do Brasil. Além do empresário Fernando Altério (dono do Palace), a casa tem como investidores o publicitário Nizan Guanaes (presidente da DM9.DDB), o Banco Icatu, a Coema Incorporações e a Companhia Interamericana de Entretenimento.
Fora o investimento dos empresários, o Grupo Credicard - controlado pelo Unibanco, Citibank e Banco Itaú - deverá investir R$ 12 milhões, nos próximos dez anos, para ter o direito de batizar no nome da casa. Hoje, a porta-voz da Credicard, Rosvita Sauressig, disse que a companhia não ficou abalada com as críticas feitas durante o show por João Gilberto. "O investimento no Credicard Hall é de longo prazo e problemas iniciais de uma casa com essa envergadura são normais", disse. "Os operadores da empresa estão aptos a resolvê-los".
O publicitário Nizan Guanaes contou que os problemas apontados pelo cantor baiano vão ajudar a casa a rapidamente fazer os ajustes necessários. "Não vou deixar de manter os investimentos no Credicard Hall pelos problemas ocorridos em uma noite", disse. Guanaes também contou que dificilmente esse tipo de coisa pode derrubar a imagem dos investidores e patrocinadores, que trouxeram para São Paulo uma grande casa de espetáculo. "Estamos apostando no crescimento da área de entretenimento que o Brasil tem obtido nos últimos anos". O Banco Icatu, outro sócio do negócio, preferiu não se manifestar.
Segundo o engenheiro José Augusto Nepomuceno, responsável pela acústica do Credicard Hall, algumas providências já foram tomadas para o show de hoje à noite das contoras Gal Costa, Ivete Sangalo e Daniela Mercury. "Colocamos alguns painéis em locais que tinham problemas de retorno para os artistas", disse. Nem todos os ambientes da casa estavam com problemas de eco. Nepomuceno foi responsável pela acústica da Sala São Paulo, que comporta 1.600 pessoas - diferente das 5.000 da Credicard Hall. "Lá também tivemos de fazer ajustes, embora o lugar fosse menor que o Credicard Hall, que foi maldosamente criticado".


