Falhas em inquérito pode facilitar defesa
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sábado, 16 de janeiro de 1999
Agência Folha 
O corregedor da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse ontem, em Brasília, que as falhas no inquérito que investiga a morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) poderão facilitar a defesa do deputado Talvane Albuquerque (sem partido-AL), suspeito de ser o mandante. No entanto, as falhas não deverão impedir que a comissão conclua que Albuquerque faltou com o decoro ao se relacionar com um pistoleiro. Isso deverá resultar no pedido de sua cassação. Depois de constatadas irregularidades no inquérito, o ministro Renan Calheiros (Justiça) decidiu que a Polícia Federal vai assumir as investigações.
As falhas foram detectadas na quarta-feira depois do depoimento do presidente do inquérito, Arnaldo Carvalho, delegado da Polícia Civil de Alagoas. Carvalho disse à comissão da Câmara que a polícia alagoana não tem condições materiais para investigar o assassinato.
O deputado Augusto Farias (PFL-AL) entregou à comissão uma fita com diálogos entre Albuquerque e o pistoleiro Maurício Guedes Novaes, o Chapéu de Couro. Segundo Farias, Albuquerque e Chapéu de Couro acertavam um plano para matá-lo. Em depoimento à polícia de Alagoas e à comissão, o pistoleiro confirmou a versão de Farias.
Chapéu de Couro prestou depoimento anteontem à comissão de sindicância. Segundo membros da comissão, ele disse que Albuquerque chegou a lhe dar R$ 500 para que começasse a executar o plano. O valor combinado para o assassinato de Farias foi de R$ 200 mil, segundo o pistoleiro. A comissão se reunirá na terça-feira para discutir o relatório preliminar do deputado Robson Tuma (PFL-SP).


