Falhas começam no diagnóstico
O câncer é a segunda causa de morte no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). No Brasil, são 190 mil óbitos por ano. A estimativa é de que 600 mil novos casos da doença sejam registrados neste ano. A possibilidade da redução deste número pelo diagnóstico precoce é unanimidade entre os especialistas. Os principais tipos que ocorrerão no País serão os de pele não melanoma, o de próstata e o de mama. Outros cânceres que aparecem em destaque são o do intestino grosso, pulmão, colo de útero e estômago.
O oncologista e diretor do Oncoguia, Rafael Kaliks, aponta os prejuízos da falta de um sistema de rastreamento dos pacientes. "Conceitualmente, o SUS é um sistema fantástico no papel, mas existem muitas dificuldades no mundo real. Não temos políticas de rastreamento e busca ativa, de ir atrás daqueles que não fazem os exames preventivos. Isso tem implicação grave. O investimento no tratamento da doença em estado avançado é muito maior", alertou.
A oncologista e professora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Del Pillar Estevez, também comentou sobre as dificuldades de acesso ao sistema. "Depois que o paciente consegue o acesso ao tratamento, as coisas tendem a se encaminhar melhor, mas o caminho anterior não está bem delineado. É preciso uma estrutura mais ágil de diagnóstico", defendeu. "Esse tempo perdido não volta, ele vai determinar o quão avançada a doença estará quando descoberta, interferindo no tratamento e, pior, na chance de vida do paciente", completou a presidente do Oncoguia, Luciana Holtz.
Aprovada em maio de 2013, a Lei 12.732, mais conhecida como a Lei dos 60 dias, prevê que todo paciente diagnosticado com câncer tenha acesso ao tratamento no prazo máximo de dois meses. Mais uma lei que só funciona no papel. Oncologistas e associações de pacientes presentes no fórum reconheceram avanços nos últimos anos, mas segundo eles, ainda falta muito para que a lei seja cumprida.
O coordenador geral de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, Sandro Martins, ressaltou os esforços do governo federal, mas reconheceu as dificuldades em atender a demanda. "Estamos trabalhando para eliminar erros e agilizar o processo. Nosso desafio na oncologia, assim como em todos os setores, é conciliar as melhorias com o orçamento", disse.(C.F.)





