Falha no motor causou acidente, diz DAC
O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou ontem que uma falha no motor direito do Fokker 100 da TAM foi responsável pelo acidente no último sábado à noite que resultou na morte da passageira Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, 48. Segundo nota divulgada pelo órgão, essa falha resultou ''em uma despressurização explosiva, avariando um pedaço da fuselagem perto da poltrona 19 e duas janelas próximas à poltrona 16''.
O DAC, que já conseguiu as caixas-pretas da aeronave, não divulgou detalhes sobre as causas da falha no motor. Também não especifica as informações cogitadas inicialmente pela empresa aérea de que uma peça poderia ter se desprendido da turbina, provavelmente uma hélice, atingindo a janela e perfurando a fuselagem. O Fokker 100 da TAM havia decolado às 18h27 de Recife (PE) com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e escala em Campinas (SP), levando 82 passageiros. Ele teve que fazer um pouso forçado em Belo Horizonte (MG). Outras três pessoas ficaram feridas levemente, segundo a assessoria de imprensa da TAM.
Dois técnicos ouvidos ontem pela reportagem contestam a possibilidade aventada pelo DAC. Eles avaliam que a probabilidade maior é que a falha no motor tenha acontecido depois de a fuselagem se romper, e não antes.
O presidente da Federação Nacional dos Aeroviários e Aeronautas, Pedro Azambuja, diz que, se alguma peça tivesse se soltado do motor, ela provavelmente seria sugada pela turbina ou ido para trás da aeronave, acompanhando a movimentação do vento.
Azambuja considera mais prováveis duas hipóteses: uma, de que a estrutura do avião tenha se rompido mesmo sem ser atingida por nenhum objeto; outra, de que uma peça da parte frontal do Fokker 100, como sensores ou radares, tenha se despreendido e perfurado a fuselagem.
Um outro técnico reforça essa primeira possibilidade e suspeita de que tenha havido algum problema semelhante a um acidente de 1997, quando houve uma explosão em um Fokker-100, durante vôo entre São José dos Campos e São Paulo, atribuída a uma bomba que teria sido colocada por um passageiro. Ele diz preferir não se identificar pois poderá participar das investigações do acidente de sábado.
O presidente da Federação Nacional dos Aeroviários e Aeronautas diz acreditar que alguma parte do motor tenha sido atingida por algum pedaço da estrutura rompida. ''Se for verificado alguma coisa parecida, pode ser falha no projeto ou até fadiga metálica, ou seja, defeito da manutenção'', afirma.
A Polícia Federal vai convocar para depor todos os tripulantes e alguns dos passageiros do vôo 9755, da TAM. O único depoimento tomado até agora foi o do comandante do vôo, Marcelo Rabello Seda, que afirmou não saber que janelas do avião tinham se quebrado até pousar no aeroporto internacional de Confins, a 40 km de Belo Horizonte.
Uma equipe de técnicos da Rolls-Royce, da Inglaterra, deve chegar hoje a Belo Horizonte, para vistoriar a turbina que sofreu um acidente em vôo.





