O primeiro Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS-1) brasileiro foi destruído ontem pouco depois de seu lançamento da base espacial de Alcântara, Estado do Maranhão.
A destruição foi anunciada por técnicos da Agência Espacial Brasileira através do canal Globo News, que transmitiu o lançamento ao vivo.
Segundo os técnicos, um dos motores de propulsão falhou, o que não impediu o lançamento, mas o foguete descreveu uma trajetória incorreta, sendo então preciso destruí-lo por mecanismo remoto.
O foguete destruído caiu na zona de proteção, a uns 2 km da plataforma de lançamento da base de Alcântara.
O fracasso no lançamento do Satélite de Coleta de Dados-2A (SCD-2A), pelo Veículo Lançador de Satélites-1 (VLS-1), trará problemas às pesquisas ambientais do País. O Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe) deixará de receber informações ambientais captadas em locais estratégicos do Brasil e da América do Sul.
O SCD-2A estava na coifa do foguete que foi autodestruído, 65 segundos após sua decolagem, a uma altura de 3.230 metros. A partida dos motores ocorreu às 10h25 (horário de Brasília), mas um dos quatro motores do primeiro estágio do foguete falhou. O foguete foi desviado da trajetória e o vôo saiu dos limites de segurança pré-estabelecidos, forçando o acionamento do telecomando de destruição. Os destroços caíram no Oceano Atlântico, a dois quilômetros da plataforma de lançamento.
Com o fracasso, vários projetos científicos serão afetados, entre eles os que estudam fenômenos climáticos importantes como El Ni¤o, ou hidrológicos, como as enchentes no Sul ou a seca do Nordeste. ‘‘Estamos com a situação de coleta de dados comprometida, sem dúvida’’, comentou o diretor geral do Inpe, Márcio Nogueira Barbosa.
A vida útil do SCD-1, lançado pela empresa norte-americana Orbital Science, em fevereiro de 93, está esgotada. O equipamento vem se degradando rapidamente e suas baterias deixaram de receber carga. O Inpe teve que atrasar o lançamento de um novo satélite para tornar viável a utilização do VLS, desenvolvido pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), órgão do Ministério da Aeronáutica.
Na tentativa de amenizar o problema, a direção do Inpe tentará antecipar o lançamento do SCD-2, programado para acontecer no centro de lançamentos norte-americano de Cabo Kennedy, em maio de 98. A intenção é encurtar em dois meses o intervalo, de 7 meses, e pôr o artefato em órbita em abril. ‘‘Vamos explorar essa hipótese, mas teremos que falar com a Nasa para trocar de data com algum outro lançamento’’, afirmou o diretor do instituto.
Os dados coletados pelo satélite perdido municiariam de informações o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee) e programas científicos dos setores climáticos, hidrológicos e meteorológicos. O supercomputador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Inpe, para previsões meteorológicas também ficará deficitário.
Para contornar o problema, está em estudo também o uso dos satélites do sistema francês Argus, apesar de ele estar numa inclinação de órbita diferente da que estaria o equipamento do brasileiro.

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