Agência Folha
Do Rio
Uma falha humana na detecção do vazamento dobrou a dimensão do desastre ambiental da Petrobras. O software usado pela empresa no monitoramento do duto que liga a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal da Ilha D‘‘Água não falhou, ao contrário do que havia sido divulgado anteriormente pela empresa. O acidente não foi detectado pela inspeção das 3 horas do dia 18 porque, provavelmente, o procedimento interno de rechecagem das informações fornecidas pelo computador não foi cumprido. A informação consta do relatório técnico divulgado ontem pela Petrobras. ‘‘Uma investigação mais profunda feita pelo construtor do software mostrou que ele não falhou, com suspeitávamos. Os dados fornecidos pelo programa precisavam ser checados e isso não foi feito’’, disse Laércio Rodrigues Horta, chefe da comissão que investiga as causas do vazamento da Petrobras.
Na verdade, tais informações são introduzidas no programa por outros operadores, antes do início do bombeamento. Alguns desses dados foram fornecidos em duplicidade.
‘‘Era obrigatório a rechecagem desses dados’, disse Horta. Uma primeira verificação é feita logo após o início do bombeamento. ‘‘Era muito cedo para ver alguma coisa porque o sistema leva um tempo até estabilizar.’’ Nova verificação, marcada para as 3 horas, nada detectou. ‘‘Essa verificação não é um procedimento simples porque usa várias planilhas ao mesmo tempo’’,
disse Horta. ‘‘Achamos que o software precisa ser melhorado.’’ Essa falha não explica o acidente, que aconteceria de qualquer forma, mas aumenta suas dimensões. Se o vazamento tivesse sido detectado às 3 horas, a Petrobras conseguiria evitar o derramamento de cerca de 600 toneladas de óleo na baía de Guanabara, segundo estimativas de Horta.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) definiu ontem em R$ 51,050 milhões o valor da multa da Petrobras. Do total, R$ 50 milhões se referem ao derramamento de óleo, R$ 1 milhão por prejuízos causados à fauna local e R$ 50 mil porque o óleo atingiu a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim.
Na próxima semana, o Ibama vai aplicar outra multa referente aos prejuízos causados às áreas de manguezal. A Petrobras vai ter de pagar R$ 1.500,00 por cada hectare atingido. Cada hectare corresponde a dez mil metros quadrados, mas o Ibama ainda não concluiu a extensão da área atingida. O Ministério do Meio Ambiente disse que o valor da multa será integralmente repassado ao Ibama e o dinheiro será aplicado na recuperação da baía.

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