Paris - Cientistas acreditam que encontraram uma pequena falha genética que pode ser a causa de cerca de 4% dos casos de Mal de Parkinson, descoberta esta que pode abrir caminho, apesar da controvérsia, para testes genéticos que possibilitarão diagnosticar precocemente a doença.
O problema estaria em uma única mutação no gene LRRK2, de acordo com três estudos publicados na versão on-line da revista ''The Lancet''. Os pesquisadores encontraram a falha escaneando e comparando o DNA de indivíduos com Mal de Parkinson.
O LRRK2 é um gene descoberto recentemente, que responde por uma longa proteína chamada dardarina, cujo funcionamento não está claro ainda.
Dois dos estudos descobriram a mutação entre quatro das 61 famílias italiana, brasileira e portuguesa com histórico de Mal de Parkinson e entre 35 indivíduos de 20 famílias da América do Norte que também são afetadas pela doença.
O defeito no gene LRRK2 causa cerca de 5% dos casos de Mal de Parkinson hereditários, de acordo com as pesquisas. Sua real proporção, porém, ''é provavelmente bem maior'', ressaltou William Nichols, do centro médico do Hospital de Cincinnati, que coordenou o trabalho.
''Mutações neste gene podem se tornar a causa mais importante para identificar a doença muito tempo antes'', completou.
O terceiro estudo foi realizado com pacientes de Parkinson que não tinham histórico familiar da doença. Na pesquisa, a falha genética foi localizada em oito destas 482 pessoas, uma taxa de 1,6%, o que sugere que a mutação também pode acontecer aleatoriamente.
Casos classificados como esporádicos não têm causa hereditária. Exposição a químicas tóxicas, radiação e alguns fatores ambientais costumam ser as causas mais constantes.
Em uma declaração também publicada na revista ''The Lancet'', o especialista Alexis Brice, do Instituto francês Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) afirmou que a descoberta é um grande passo para a possível introdução dos testes genéticos de investigação do Mal de Parkinson.
Ele destaca, entretanto, que é vital traçar um mapa completo das causas genéticas da doença, como, por exemplo, conferir se há pessoas com a mutação do gene LRRK2 que não desenvolvem o Mal de Parkinson e se outros genes podem estar envolvidos na doença.
Brice destacou que é vital discutir questões éticas. O Mal de Parkinson é uma doença degenerativa e incurável, embora estes sintomas possam ser controlados com medicamentos. O especialista lembra, contudo, que o teste da doença não oferece nenhum benefício médico imediato.
O Mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso, afetando mais de 1% da população com mais de 65 anos. Acontece quando é registrada uma perda de células na parte do cérebro que produz dopamina, um neurotransmissor responsável pela comunicação com outras células do cérebro que regula as funções motoras. Os sintomas vão de tremores à perda de consciência, passando por atrofia muscular e dificuldades no andar.

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