Uma falha em uma válvula que deveria isolar um tanque de drenagem de óleo na coluna da plataforma da Petrobras P-36, na Bacia de Campos, no RJ, foi a principal causa da explosão que provocou o naufrágio do equipamento a morte de onze funcionários, em 20 de março. Esta válvula - de fabricante desconhecido - não impediu, como deveria, a entrada de petróleo, gás e água no tanque, que devido ao defeito, acabou enchendo até estourar e espalhar gás por toda a coluna da P-36.
A Comissão de Sindicância instituída pela Petrobras para investigar o acidente enumerou ontem uma série de fatores que contribuíram para o acidente, mas não apontou nenhum responsável pela tragédia. ‘‘O inquérito foi entregue à diretoria da Petrobras que poderá apontar se houve um responsável ou não’’, disse o presidente da Comissão de Investigação, Carlos Heleno Barbosa. A diretoria da empresa deve se pronunciar na semana que vem.
O tanque que recebeu indevidamente petróleo e gás estava localizado na coluna a popa boreste (atrás, à direita) da plataforma. O equipamento estava desativado porque a bomba de drenagem ligada a ele estava em manutenção. Nesta condição, o equipamento foi, teoricamente, completamente isolado: seu respiro foi tamponado e a válvula de acesso a ele fechada. Mas a válvula permitiu que o tanque começasse a encher, ficando cada vez mais pressurizado até o rompimento.
O tanque - que já estava com água do mar - recebeu primeiro grandes quantidades de petróleo e gás, aumentando sua pressão interna. Depois, uma operação de drenagem de água de outro tanque semelhante acabou provocando também o despejo de água no equipamento.
Quando o tanque se rompeu outras duas falhas agravaram o problema. A primeira foi o rompimento dos tubos que transportavam água do mar - por dentro da coluna - para o sistema de combate a incêndio.
A segunda falha- certamente mecânica, segundo a comissão - foi nas escotilhas que deveriam isolar os diferentes compartimentos da coluna em caso de acidente. ‘‘Estas escotilhas não se fecharam e o gás se espalhou por toda a coluna. Neste momento ocorreu a explosão de fato, provocada por alguma fonte de ignição (uma faísca, por exemplo)’’, explicou Barbosa.

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