Curitiba- As praias do Paraná perderam turistas na temporada 2007/2008 e perderam também a balneabilidade. Uma pesquisa realizada pela FOLHA demonstrou que, apesar de todos os investimentos realizados pela Sanepar em Matinhos e Pontal do Paraná, a qualidade da praia piorou. E não deveria. A suspeita é a de que as obras não tenham sido devidamente planejadas e que faltaram investimentos em micro e macrodrenagem.
Desde o início do governo Roberto Requião, em janeiro de 2003, a Sanepar investiu R$ 140 milhões em tratamento de esgoto nas praias paranaenses. O ParanaSan -projeto desenvolvido pelo governo Jaime Lerner e executado na administração atual- trabalhou com a ligação de ramais de esgoto em Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, Morretes e Guaraqueçaba. Outros R$ 70 milhões foram investidos em produção e distribuição de água. ''Não falta mais água no litoral, nem no Carnaval. Conseguimos resolver este problema'', afirmou Maria Arlete Rosa, diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar.
Apesar dos investimentos, a qualidade da praia ficou abaixo do esperado e os pontos impróprios estavam distribuídos por toda a orla (nos 100 quilômetros de praias, fora as ilhas). ''Como a qualidade da água não melhorou? Se existe algo errado no projeto de saneamento do litoral temos que analisar e enfrentar, ver as responsabilidades. Temos que discutir isso'', apontou o advogado Pedro Henrique Xavier (PHX), presidente do Conselho Administrativo (CAD) da Sanepar e responsável pela aprovação dos investimentos feitos no ParanaSan dentro do CAD.
Na temporada de 1989/1990, quando as primeiras amostras foram coletadas, dos 32 pontos analisados pela Sanepar, 13 eram considerados como ótimos ou bons. No final da primeira gestão Requião, entre os anos de 1993/1994, dos 35 pontos analisados, 17 eram ótimos ou bons. Já o final da primeira gestão Jaime Lerner (PSB), entre 1997/1998, dos 37 pontos analisados oito eram considerados como ótimos ou bons. Foram feitos os primeiros investimentos com a ParanaSan e no final da segunda gestão -na temporada 2002/2003, dos 46 pontos analisados, 12 eram considerados como ótimos ou bons. No ano passado, as coletas já começaram a ter alterações mais radicais -em março, por exemplo, apenas seis pontos foram considerados como próprios para banho e outros 53 como impróprios.
Com os investimentos que deveriam ter sido feitos pela Pavibras (que faliu e não terminou a obra, exigindo aditivos contratuais e pagamento de reajustes de obras não concluídas) e com a desativação do chamado Pinicão de Matinhos, a expectativa era de melhora da qualidade da água. O que se viu foi o inverso. A penúltima coleta do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) mostrou apenas quatro pontos como adequados para banho no litoral. ''Os motivos são os mais diversos. Temos que perceber que a quantidade de gente da praia aumenta a cada ano na temporada. De 2003 para cá, o aumento foi de 50%. Os investimentos estão sendo feitos, mas ainda temos que fazer mais'', sinalizou Rasca Rodrigues, secretário de Estado de Meio Ambiente.

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