Adis-Abeba, 10 (AE-AP) - Milhares de falashas (etíopes de origem judaica) que vivem num campo de triagem para refugiados cercaram hoje (10) Natan Sharansky, quando o ministro do Interior israelense visitava a capital etíope, cantando canções judaicas e pedindo sua ajuda para conseguir migrar para Israel. Embora comovido, Sharansky disse que não poderia prometer visto aos 26.000 pretendentes à cidadania israelense.
Apesar das pressões dos falashas, e das críticas que atribuem ao governo israelense alguma dose de racismo em relação aos migrantes etíopes, funcionários do serviço de imigração israelense disseram que os interessados terão de se submeter a uma lei que garante cidadania apenas a etíopes com pais ou avós judeus.
Nos últimos anos, cerca de 18.000 etíopes de ascendência judaica convertidos ao cristianismo deixaram suas moradias em outras cidades e alugaram casebres de barro num campo de triagem para refugiados nos arredores de Adis-Abeba, a capital, e mais ao norte, na cidade de Gondar.
Com os ativistas em favor da migração, eles reaprenderam a cultura e a prática do judaísmo.
A visita de Sharansky primeiro membro do atual gabinete israelense a visitar o país e que, como ex-dissidente, foi preso na ex-União Soviética por tentar migrar para Israel serviu de oportunidade para os falashas darem uma demonstração de sua adaptação cultural e religiosa às normas do Velho Testamento.
O ministro israelense lembrou-se de ter acompanhado, quando ainda estava preso em Moscou, a odisséia dos 6.500 falashas transportados em avião para Israel entre 1984 e 1985.
Ele prometeu enviar a Adis-Abeba uma comissão para fazer o levantamento dos falashas que têm parentes em território israelense e que, com base na lei de reunificação das famílias, terão chance de migrar.
Mas advertiu que não haverá lugar para todos e que "o sofrimento não faz de qualquer pessoa um judeu".

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