As recentes ocupações de propriedades agrícolas em Ortigueira, Faxinal (113 km e 76 km ao sul de Apucarana, respectivamente) e Ponta Grossa por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) preocupa os produtores paranaenses. O alerta é da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que pretende cobrar do governo do Estado uma ''posição firme'' em relação ao cumprimento de mandados judiciais de reintegração de posse.
Segundo nota distribuída ontem pela Faep, a entidade recebeu um e-mail em que a família proprietária da Fazenda Brasileira (entre Ortigueira e Faxinal) reclama que, apesar de já haver mandado de reintegração de posse, nenhuma providência teria sido tomada por parte da polícia. De acordo com a Faep, parte da fazenda foi ocupada em janeiro de 2003 e o restante da propriedade teria sido invadido no último dia 16.
''O respaldo, a complacência e a conivência do governo do Estado em relação às ações do MST podem provocar o recrudescimento da violência no campo'', advertiu o coordenador da Comissão de Política Fundiária da Faep, Tarcísio Barbosa de Souza. ''Se o governo quer manter a ordem e a paz, deve agir com firmeza e determinar as reintegrações de posse imediatamente'', acrescentou.
O coordenador de Assuntos Fundiários da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Jocler Jeferson Procópio, disse que a primeira ocupação na Fazenda Brasileira aconteceu em janeiro de 1993 (e não 2003 como informou a Faep) e que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) está negociando a compra da área ocupada, que tem aproximadamente 3,6 mil hectares. Por essa razão, o governo não teria promovido a desocupação.
Procópio disse que está tentando negociar com o MST para que os sem-terra voltem para a área onde já estavam. Segundo a secretaria, se há mandado de reintegração de posse para a área invadida agora, o governo ainda não foi notificado.
A assessoria de imprensa do Incra-PR confirmou que a compra de parte da Fazenda Brasileira, em Ortigueira, está em negociação. Já foram realizadas quatro vistorias na área e, em três delas, o proprietário não teria concordado com o valor proposto pelo Incra-PR. A outra área da fazenda, que fica em Faxinal, não está sendo negociada. Ainda de acordo com a assessoria, 163 áreas em todo o Estado estão em processo de vistoria este ano.
O MST, conforme informou sua assessoria de imprensa, entende que a única ocupação recente foi a da fazenda de propriedade do tenente-coronel Neves, em Ponta Grossa. A Fazenda Brasileira seria uma ocupação antiga e, agora, os sem-terra teriam tomado a sede da propriedade.

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