Curitiba- Produtores rurais ligados à Federação da Agricultura do Paraná (Faep) acusam o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública, de pactuarem com as invasões de propriedades rurais promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Esse é o teor da ''Carta aos Paranaenses'', divulgada, ontem, pela Comissão Estadual de Política Fundiária da Faep.
No manifesto, os produtores rurais afirmam que o Incra estaria solicitando ao governo do Estado que não cumpra mandados judiciais de reintegração de posse, ''tendo em vista o interesse em negociar a área invadida, a fim de promover a compra''. ''Tal método permite também que o governo do estado, por meio do secretário de Segurança (Luiz Fernando Delazari), continue em seu proseletismo de negociar até a exaustão a retirada dos invasores, desrespeitando o preceito de que determinação judicial é para ser cumprida e não para fazer parte de um balcão de barganhas'', relatam no documento.
A comissão da Faep entende que a reforma agrária, via desapropriação de terras, no Paraná, é inviável. Isso porque, segundo a carta divulgada ontem, o superintendente teria declarado à imprensa que de 177 propriedades rurais vistoriadas em 2003, em apenas quatro foi possível propor a desapropriação. ''Nosso entendimento é o de que as invasões recentes evidenciam a forma pela qual o Incra pretende contornar a recusa dos produtores em vender suas terras (...)'', afirmam na carta.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, disse que não quer ''polemizar essa discussão''. Afirmou que é criticado também pelo MST. ''Recebi uma avalanche de críticas do MST por causa do despejo da Fazenda Baronesa'', declarou. A intenção do Incra, segundo ele, é achar uma solução para os conflitos e tem feito isso em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Lacerda entende que o ''despejo'' dos sem-terra das propriedades rurais não resolve o problema, mas ''perpetua o conflito''. E, por essa razão, segundo ele, as reintegrações acontecem em negociação conjunta com a secretaria para que as famílias retiradas das propriedades ocupadas tenham para onde ir.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública foi procurada pela Folha mas não se manifestou sobre o assunto.

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