Muitos pacientes com esclerose múltipla sentem-se incapacitados de exercer tarefas cotidianas e perdem a qualidade de vida por desconhecer que fadiga, depressão e lentidão de raciocínio são sintomas da doença e podem ser tratados. ''Em geral os pacientes relatam ao médico apenas os sintomas físicos, mas se esquecem de informar essas alterações cognitivas, que também podem acometê-los. Isso é preocupante, pois a doença atinge adultos jovens, que estão no inicio da sua vida profissional, pessoal e afetiva'', explica a neurologista Maria Fernanda Mendes, professora-assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (SP). Ela ministra uma aula sobre o tema no curso online Educação Científica Continuada em Esclerose Múltipla que a Academia Brasileira de Neurologia e o Laboratório Serono oferecem gratuitamente aos neurologistas.
Segundo a médica, a fadiga é um sintoma muitas vezes confundido com depressão ou preguiça. Sua origem é física e não psicológica, atinge cerca de 70% das pessoas com esclerose múltipla e constitui-se na principal causa de desemprego entre os pacientes nos EUA. O surpreendente é que o sintoma apresenta melhoras com exercícios físicos, principalmente aeróbicos leves. Mas o paciente deve ser acompanhado pelo neurologista e por um fisioterapeuta.
A aula da neurologista também vai aborda a depressão - que acomete entre 27% a 54% dos pacientes - além de disfunções como lentidão de raciocínio e déficit de memória. Entre os tratamentos utilizados na Santa Casa para essas disfunções, estão exercícios realizados em computadores, semelhantes a jogos em videogame. De acordo com Maria Fernanda Mendes, estudos científicos apontam que os medicamentos imunomoduladores também melhoram o quadro das alterações cognitivas.
A esclerose múltipla é a causa mais comum de incapacidade neurológica em adultos jovens. Pode afetar os movimentos, causar problemas visuais, dificuldades do controle da urina e até impotência. A doença é extremamente variável em termos de gravidade e progressão de um paciente para outro. Atinge dois milhões de pessoas em todo o mundo.
Serviço: O curso Educação Científica Continuada em Esclerose Múltipla é gratuito e para participar o neurologista deve se cadastrar no site wwww.educacaoem.com.br ou na página da ABN. Informações pelo fone 0800-11-3320, na ABN ([email protected]), ou no site www.abneuro.org.

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